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domingo, 10 de maio de 2020

Covid-19: poluição cai a pique, mas pode ser apenas "fogo-de-vista"

O consumo de combustíveis fósseis está a decrescer e as emissões poluentes seguem o mesmo caminho com a pandemia de covid-19. Mas ambientalistas e ativistas climáticos não estão otimistas. O que até está a ter um efeito positivo a curto prazo nas alterações climáticas pode não passar de uma situação transitória, tal como aconteceu aquando da crise financeira de 2008-09. Para já os canais de Veneza parecem estar mais limpos.
Covid-19: poluição cai a pique, mas pode ser apenas "fogo-de-vista"
Com as atenções desviadas das alterações climáticas para o coronavírus, a jovem ativista sueca Greta Thunberg apelou aos jovens de todo o mundo para continuarem a manifestar-se online. Através da sua conta na rede social Twitter, Greta instou os seus seguidores a não abrandarem a luta contra as alterações climáticas, ainda que devam evitar a todo o custo grandes concentrações de pessoas e marchas de protestos, por causa da pandemia.
apelo da jovem ativista significa que, face ao covid-19, milhares de jovens terão de mudar a forma como se manifestam, transferindo as ações de luta para o mundo virtual, usando e abusando de tags como #DigitalStrike e #ClimateStrikeOnline.
"A luta pela pandemia não pode fazer esquecer a luta pelo ambiente", avisou Greta
"Mantenham o entusiasmo e vamos enfrentar uma semana de cada vez. Juntem-se ao movimento #DigitalStrike e publiquem fotos dos vossos protestos e dos vossos cartazes usando as hashtags #ClimateStrikeOnline, #fridaysforfuture, #climatestrike, #schoolstrike4climate", rematou a jovem.
Entretanto, estimativas indicam que as emissões mundiais de CO2 podem diminuir neste ano em cerca de 7%, valor próximo ao que o planeta devia atingir com as metas traçadas no Acordo de Paris sobre alterações climáticas.
Dados conhecidos nesta semana com base em relatórios internacionais revelam que o mundo está a emitir menos um milhão de toneladas de dióxido de carbono por dia com a quebra no consumo de petróleo devido à pandemia de covid-19. A quebra deve-se, essencialmente, à contração da China. Um balanço publicado no Carbon Brief, atualizado a 4 de março, indica que a paralisação de grandes regiões da China reduziu em 25% as emissões de CO2 do país.
Devido ao covid-19, que surgiu em dezembro de 2019 na China, no primeiro trimestre de 2020 o consumo de carvão nas fábricas caiu 36% e a produção de carvão 29%, tendo a capacidade de refinar petróleo sido reduzida em 34%. Ao todo, segundo o Carbon Brief, as medidas da China para conter o coronavírus levaram a uma redução de entre 15% e 40% da produção nos principais setores industriais.


"É provável que isso tenha impedido um quarto ou mais das emissões de CO2 do país nas últimas quatro semanas", refere-se no portal, acrescentando que em 2019 a China emitiu cerca de 800 milhões de toneladas de CO2, pelo que o vírus poderá ter impedido a libertação de 200 milhões de toneladas até ao momento.
Extrapolando para o ano inteiro, com a redução na produção de carvão da China mais a redução na venda de barris de petróleo, a quebra das emissões de CO2 no país será acima de 6%.
A China é um dos países mais poluentes do mundo, com as cidades de Hotan e Kashgar no top 20, de acordo com um relatório da IQAir. A NASA publicou no sábado imagens de satélite que mostram os níveis de dióxido de azoto na China antes e depois de o país ter começado a impor bloqueios, a 23 de janeiro. Também mostrou quedas drásticas nas emissões de gases ao redor de Wuhan, a primeira cidade a ser colocada em quarentena.
Fonte: DN

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