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quarta-feira, 26 de junho de 2019

Esta gigantesca máquina que remove CO2 do ar poderá transformar a luta contra a mudança climática


Atualmente, o maior inimigo do meio ambiente são os combustíveis fósseis que usamos para abastecer nossos carros, trens, aviões e fábricas. Eles inundam nossa atmosfera com dióxido de carbono, que tem atingido níveis historicamente altos.
E se pudéssemos capturar diretamente o CO2 da atmosfera e transformá-lo em combustível? Essa não seria uma imensa vitória no combate à mudança climática?
Pois é exatamente o que está propondo a empresa canadense Carbon Engineering. Em um novo estudo publicado na revista científica Joule, os desenvolvedores da companhia argumentam que descobriram uma maneira de tornar esse processo eficaz e barato.

Acessibilidade

Pesquisas anteriores sugeriram que a ideia de sugar carbono do ar, um processo chamado de “captura direta”, era muito cara para ser prática. A remoção de CO2 saía a US$ 600 por tonelada.
No entanto, os pesquisadores da Carbon Engineering demonstraram que podiam sugar CO2 do ar por um custo de US$ 94 a US$ 232 por tonelada.
A companhia canadense tem trabalhado para tornar esse processo acessível desde 2015. Sua usina utiliza energia hidrelétrica para extrair o CO2 do ar e convertê-lo em combustível sintético, um que é capaz de competir com combustíveis fósseis tradicionais.
Esse é um grande avanço: mostrar que a tecnologia pode ser economicamente viável e fornecer um meio alternativo de gerar combustíveis com baixo teor de carbono que podem “penetrar” na infraestrutura existente, abastecendo nossos carros e aviões.

Mercado para combustíveis alternativos

O progresso é especialmente importante porque, enquanto as energias solar e eólica continuam a ficar mais baratas, podendo futuramente fornecer eletricidade para cidades inteiras, não podem ser usadas para fazer veículos se locomoverem.
Combinando fontes de energia renováveis existentes com o sistema de captura de CO2 do ar, a Carbon Engineering pode gerar um combustível essencialmente neutro em carbono.
Conforme explica David Keith, fundador da Carbon Engineering à CNET, isso significa que podemos fazer gasolina ou diesel via captura direta, mas a quantidade de carbono que esses combustíveis emitem quando queimam é a quantidade que usamos para fabricá-los, daí sua qualidade de “carbono neutro”.
Uma vez que a empresa já possui a prova de conceito e a possibilidade de escalar tal sistema, Keith se disse positivo sobre o futuro da tecnologia. “Estou razoavelmente otimista. Os mercados para esses combustíveis parecem existir. A Califórnia, especialmente, [já] tem um padrão de combustível de baixo carbono, o Canadá está desenvolvendo um padrão [também]”, argumentou
Fonte: hypescience

Se não fizermos nada para conter a mudança climática, a civilização humana pode colapsar até 2050


Uma nova análise da mudança climática feita por um grupo australiano nos trouxe uma péssima notícia: a civilização humana pode entrar em colapso até 2050 se ações sérias de mitigação não forem tomadas na próxima década.
O relatório, publicado pela organização Breakthrough National Centre for Climate Restoration, é de autoria do próprio diretor da organização, o pesquisador do clima David Spratt, e de Ian Dunlop, ex-executivo da indústria do combustível fóssil.
O documento conclui que a mudança climática é “um risco de segurança” que “ameaça a extinção prematura da vida inteligente” ou a “permanente e drástica destruição de seu potencial para o desenvolvimento de um futuro desejável”.

É mais complexo do que pensávamos

A tese central do relatório é que os cientistas estão muito restritos em suas previsões de como a mudança climática afetará o planeta no futuro próximo. A atual crise climática seria maior e mais complexa do que qualquer outra coisa com a qual a humanidade já tenha lidado antes.
Modelos gerais – como o que o Painel das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC) usou em 2018 para prever que um aumento de temperatura global de 2 graus Celsius poderia colocar centenas de milhões de pessoas em risco – falham em explicar a enorme complexidade dos muitos processos geológicos interligados da Terra, de forma que não conseguem prever adequadamente a escala das consequências potenciais.
E como seria uma imagem precisa do pior cenário possível do futuro do planeta? Bom, se os governos mundiais “ignorarem educadamente” o conselho dos cientistas e a vontade do público de descarbonizar a economia (encontrando fontes de energia alternativas), isso pode resultar em um aumento de temperatura global de 3 graus Celsius até o ano de 2050.
Neste ponto, as camadas de gelo do mundo desaparecem, secas brutais matam muitas das árvores na floresta amazônica (removendo uma das maiores compensações de carbono do mundo), e o planeta mergulha em um ciclo vicioso de condições cada vez mais quentes e cada vez mais mortíferas.

Catastrófico

Ou seja, em 2050, os sistemas humanos poderiam chegar a um “ponto sem retorno” no qual “a perspectiva de uma Terra praticamente inabitável levaria ao colapso das nações e da ordem internacional”.
No caso, 35% da área terrestre global e 55% da população global estariam sujeitos a mais de 20 dias por ano de condições letais de calor, além do limiar da sobrevivência humana.
Enquanto isso, secas, enchentes e incêndios florestais regularmente assolariam o planeta. Quase um terço da superfície terrestre do mundo se transformaria em deserto. Ecossistemas inteiros entrariam em colapso, começando pelos recifes de coral, as florestas tropicais e os lençóis de gelo do Ártico.
Os trópicos seriam os mais atingidos por esses novos extremos climáticos, destruindo a agricultura da região e transformando mais de 1 bilhão de pessoas em refugiados.
Esse movimento em massa de refugiados – juntamente com o encolhimento das costas e as severas quedas na disponibilidade de comida e água – poderiam levar a conflitos armados sobre recursos, talvez culminando em guerra nuclear.
O resultado, de acordo com a análise, é “caos total” e talvez “o fim da civilização humana como a conhecemos”.

Como essa visão catastrófica do futuro pode ser evitada?

De acordo com os autores do relatório, a raça humana tem cerca de uma década para agir e limitar o aquecimento global a apenas 1,5 graus Celsius, ao invés de 3 graus Celsius.
Para isso, será necessário um movimento global de transição da economia mundial para um sistema de emissão zero de carbono. Alcançar emissões zero requer ou não emitir mais carbono ou equilibrar as emissões com a remoção de carbono.
O esforço para isso “seria semelhante em escala à mobilização de emergência da Segunda Guerra Mundial”, de acordo com os pesquisadores.
Fonte: hypescience

Apenas 10% das pradarias do mundo estão intacta


No que se trata de conservação ambiental, é importante proteger os oceanos e as florestas tropicais, mas não podemos nos esquecer das pradarias.
Apenas 5% dos prados remanescentes da Terra são preservados, tornando-os o bioma menos protegido.
A má notícia é que os seres humanos já destruíram mais de 90% da grama do planeta, principalmente para produzir comida. O pouco que resta fica frágil porque a sazonalidade das pastagens a torna vulnerável ​​às mudanças climáticas.
E o que resta?

1. Serengeti – Tanzânia

Esta savana é um dos ecossistemas mais antigos da Terra. Os ecologistas acreditam que o clima, a flora e a fauna da região praticamente não mudaram nos últimos milhões de anos.
Embora a planície seja bem protegida pelo Parque Nacional Serengeti e pela Área de Conservação de Ngorongoro, a população humana já está beliscando suas margens. Gado pastando vagueia pelas áreas protegidas, e invasores ilegais matam grandes mamíferos cujos excrementos ajudam a alimentar as plantas.

2. Pradarias de Banni – Índia

As vastas planícies de Gujarati permaneceram praticamente intactas até a década de 1960, quando duas grandes mudanças começaram a afetar o ecossistema.
Primeiro, o governo plantou Prosopis juliflora para proteger a região contra os pântanos salgados do norte, mas o arbusto invasivo acabou sufocando as plantas nativas.
Na mesma década, os humanos represaram os rios para redirecionar a hidratação para as plantações. Sem esses fluxos para diluir a água do mar, cerca de metade do solo no Banni é agora salgado e infértil.

3. Estepe mongol – China, Mongólia, Rússia

Mais de 886 mil quilômetros quadrados de pradarias temperadas se estendem do nordeste da China à Sibéria. A seca e a mineração já estão encolhendo o estepe, e um impulso em direção à privatização tem exacerbado a perda.
Além disso, ao invés de um gado nômade tradicional, que não agride a flora, agricultores têm cultivado rebanhos maiores em terras menores. A crescente demanda por caxemira também impulsionou um aumento de caprinos domesticados, que comem raízes, tornando mais difícil a regeneração das plantas.

4. Grandes Planícies – América do Norte

Apenas metade dos 720 milhões de acres originais da planície do Meio-Oeste americano ainda é selvagem. O fim da pradaria começou quando os colonos do século XIX mataram entre 30 e 50 milhões de bisões, um mamífero que roça e que fertilizava a flora nativa.
Ao mesmo tempo, os agricultores rapidamente converteram o mar de grama em plantações de trigo e milho. Os EUA ainda perdem mais de 1,5 milhão de acres para a agricultura a cada ano.

5. Pampas – Argentina

Graças ao solo fértil no leste da Argentina, a agricultura de trigo, milho e soja se intensificou no final dos anos 1980 e início dos anos 1990.
Hoje, impulsionada pela demanda global crescente, a soja se tornou a cultura dominante, em detrimento da terra. As plantações sugam nitrogênio, fósforo e potássio do solo mais rapidamente do que os agricultores podem substituí-los.
As pessoas também estão ocupando espaço: mais da metade dos argentinos reside em grandes cidades como Buenos Aires, que costumavam ser prados selvagens.
Fonte: hypescience

Nós comemos ao menos 50 mil partículas de plástico por ano


Uma pessoa come em média 50 mil partículas de microplástico por ano e respira uma quantidade semelhante, de acordo com o primeiro estudo a estimar a ingestão de poluição plástica.
Apesar do resultado do estudo, o número real de partículas ingeridas é provavelmente muito maior, já que poucos alimentos e bebidas foram analisados para determinar a contaminação com plástico.
Os impactos para a saúde de ingerir microplástico ainda são desconhecidos, mas especula-se que essas partículas podem liberar substâncias tóxicas e que os menores fragmentos podem penetrar nos tecidos e causar uma reação do sistema imunológico da pessoa.

Uma pitada de plástico em todas as refeições
A poluição microplástica é criada pela desintegração de lixo plástico e parece ser onipresente no mundo inteiro. Microplásticos foram encontrados no ar, no solo, nos rios e até nas profundezas dos oceanos. Eles foram detectados na água da torneira e na água mineral, nos frutos do mar e na cerveja. Eles também foram encontrados nas fezes humanas, comprovando que as pessoas ingerem essas partículas.
Esta nova pesquisa, publicada na revista Environmental Science and Technology, analisou os dados de outros 26 estudos que mediram a quantidade de partículas de microplástico em peixe, frutos do mar, açúcar, sal, cerveja e água, além do ar das cidades.
Os pesquisadores usaram então recomendações de dieta feitas pelo governo dos EUA para calcular quantas partículas as pessoas provavelmente comem em um ano. Adultos ingerem cerca de 50 mil partículas e crianças 40 mil.
Mas a maioria dos alimentos e bebidas não foi estudada. “Nós não sabemos muita coisa. Existem alguns buracos grandes de dados que precisam ser preenchidos”, diz o pesquisador principal Kieran Cox, da Universidade de Vitória (Canadá).
Outros alimentos, como o pão, produtos processados, carne, laticínios e vegetais podem conter tanto plástico quanto os alimentos analisados. “É muito possível que existam grandes quantidades de partícula de plástico neles”, diz ele. É possível que a real média de consumo anual seja de centenas de milhares de partículas.
Água da torneira x água mineral
Alguns dos dados mais completos que temos é sobre a quantidade de partículas na água de torneira e água mineral. A água mineral contém 22 vezes mais microplástico do que a água da torneira. Quem bebe apenas água mineral consome 130 mil partículas por ano apenas desta fonte, enquanto quem toma água da torneira consome 4 mil partículas por ano.
Partículas inaladas
Pesquisadores ainda não sabem o que acontece quando microplásticos são inalados, mas um novo estudo especula que “a maior parte das partículas inaladas será ingerida” ao invés de ser expelida por tosse ou espirro.
Alerta
O estudo de Cox esclarece que apesar de ainda não conhecermos as consequências desse consumo de plástico, há uma grande chance de haver consequências negativas para a saúde humana. “Poderia ser um alarme potencial, com certeza”, diz ele.
A comissão europeia publicou um relatório em abril de 2019 dizendo que há motivos para se ter uma preocupação genuína em relação ao consumo de microplásticos e que precauções devem ser tomadas para que esses fragmentos não sejam liberados.
Cox diz que o estudo o fez mudar de hábitos. Agora ele evita comprar qualquer produto que contenha plástico demais e sempre que possível ele não bebe mais água mineral.
“Remover plásticos de uso único da sua vida e apoiar empresas que estão se distanciando de embalagens plásticas vai ter um impacto muito grande. Os fatos são simples. Nós estamos produzindo muito plástico e ele acaba no ecossistema, e nós fazemos parte desse sistema”, argumenta
Fonte: hypescience