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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Ventiladores gigantes vão remover CO2 do ar, fazer combustível e combater o aquecimento global

ventiladores de co2 meio ambiente

Enquanto alguns podem associar a poluição do CO2 principalmente com plantas industriais e chaminés gigantes liberando o gás na atmosfera, a realidade é que elas não são as maiores vilãs do meio ambiente.

A culpa é do setor de transportes

Os veículos é que complicam tudo. As emissões de gás carbônico deste setor representam cerca de 24% das emissões globais de CO2 e têm a maior taxa de crescimento de todos.
Embora existam tecnologias existentes para capturar gás carbônico a partir de uma pilha de fumo, por exemplo, até hoje não houve soluções para capturar o montante já liberado na atmosfera por carros, caminhões e aviões.

Mas isto está prestes a mudar

No início deste ano, a empresa de engenharia de carbono fundada e mantida por Bill Gates iniciou a construção do primeiro dispositivo de captura de gás carbônico liberado no meio ambiente. Durante anos, a empresa tem trabalhado no desenvolvimento da tecnologia que está agora pronta para ser implementada em maior escala.
Tal como as árvores, a tecnologia de captura de ar prende o gás carbônico que polui os ares. No entanto, economiza muito espaço.
Para fazer o mesmo trabalho que estes dispositivos, seriam necessários quilômetros e mais quilômetros de terra fértil para o plantio de árvores. Além disso, a nova tecnologia poderá ser instalada em terras improdutivas, tais como desertos.
Segundo David Keith, professor da Escola de Engenharia da Universidade de Harvard (EUA) e presidente executivo da empresa de engenharia de carbono de Bill Gates, o sistema protótipo construído na Universidade British Columbia pode absorver as emissões de cerca de 14 a 15 veículos ou cerca de 100 quilos de dióxido de carbono por dia.

Como funcionam os ventiladores de co2

De maneira simplificada, o sistema funciona com o ar entrando na instalação através de um absorvente de CO2 líquido, que retém cerca de 80% de dióxido de carbono numa solução para processamento adicional.
Depois, a ideia é que o CO2 seja recuperado a partir da solução de carbonato e integrado na produção de hidrocarbonetos líquidos que são totalmente compatíveis com a infraestrutura de transporte de hoje, mas tem baixa (ou nenhuma) concentração de carbono.
A construção de ventiladores gigantes com fins de demonstração deve terminar até o final deste ano. E será o último passo para a construção de dispositivos em grande escala que, além de ter objetivo comercial, também pretende encerrar o ciclo do CO2 na natureza.
Fonte: hypescience

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Cientista americano busca criar o “plástico sustentável”


A sociedade atual já está quase totalmente dependente do plástico, que tem numerosas aplicações na indústria. Mas também não faltam ambientalistas para alertar dos riscos que esse material representa para o planeta. O plástico rejeitado e não reciclado, que vira lixo, continua sendo um corpo estranho em qualquer ecossistema.
Um químico americano da Universidade do Minnesota, Marc Hillmyer, desenvolveu o conceito de “plástico sustentável”, baseado em uma mudança na composição. O pesquisador passou a trabalhar com materiais orgânicos, tais como carboidratos, óleos vegetais e outros compostos baseados em plantas para a fabricação do plástico.
Hillmyer se especializou no estudo das cadeias de polímero, a molécula básica que compõe a forma química do plástico. O professor, que faz experimentos químicos desde a infância e passou a pesquisar polímeros na graduação, explica que o estudo visa desafogar o montante de plástico que é depositado no ambiente.
Para isso, como explica ele, basta analisar aquelas velhas tabelas que mostram o tempo de decomposição de cada material no ambiente, e verificar que o plástico é tóxico e poluente, para concluir a necessidade urgente de um plástico biodegradável. E o novo material, além de melhor nesse quesito, segundo Hillmyer, deve no mínimo ser tão eficiente quanto o plástico de que dispomos hoje, senão mais.
Fonte: hypescience

Esperança ambiental: fungo amazônico que come plástico pode solucionar problemas de lixo


Se você não está convencido da importância de proteger a biodiversidade de florestas tropicais, aqui vai mais um argumento a favor: estudantes da Universidade de Yale, EUA, descobriram um fungo amazônico que pode comer os resíduos mais duráveis de nossos aterros: o poliuretano.
Durante uma expedição ao Equador, os universitários perceberam que o fungo tinha a capacidade de decompor o plástico. Este plástico é um dos compostos químicos encontrados em muitos, mas muitos mesmo produtos modernos – de mangueiras de jardim a fantasias.
Ele é valorizado por sua flexibilidade e rigidez ao mesmo tempo. O problema é que, como muitos outros polímeros, ele não se quebra facilmente. Isso significa que persiste em aterros e lixões de todo mundo por muito tempo.
O plástico até queima muito bem, mas esse processo libera monóxido de carbono e outros gases na atmosfera, por isso é uma impossibilidade ambiental. Nem precisamos destacar que algo que pode degradá-lo naturalmente seria uma solução muito melhor.
O fungo, chamado Pestalotiopsis microspore, consegue sobreviver com uma dieta de apenas poliuretano, em um ambiente anaeróbico.
A equipe de Yale isolou a enzima que permite que este fungo faça esse trabalho e que poderia ser usada para biorremediação.
Para nós, é estranho pensar em um microorganismo que coma material sintético durável, mas acredite, esse não é sequer o primeiro a fazer isso. Bactérias e fungos são capazes de quebrar muitos materiais. Uma espécie bacteriana – Halomonas titanicae – está comendo o Titanic no fundo do mar, por exemplo. Sorte nossa que podemos contar com tais criaturas incríveis.
Fonte: hypescience

Plástico nos oceanos pode superar os peixes até 2050

plastico no oceano mais que peixe 2050

O plástico representa hoje uma grande ameaça para os oceanos. Material onipresente na vida moderna, um novo relatório afirma que, se as tendências atuais continuarem, até 2050 o lixo plástico nos oceanos vai superar em número os peixes.
O relatório foi feito pela Fundação Ellen MacArthur e divulgado no Fórum Econômico Mundial realizado em Davos, na Suíça, recentemente.

Toneladas nocivas

95% das embalagens de plástico são “perdidas” todos os anos após uso único, custando cerca de US$ 80 a 120 milhões para a economia mundial. Enquanto apenas 5% é reciclada de forma eficaz, em torno de 40% é enterrada em aterros sanitários, e um terço de todo plástico produzido a cada ano vai parar nos oceanos.
Isso é equivalente a despejar o conteúdo de um caminhão de lixo a cada minuto no ambiente marinho.
Desde 1964, a produção de plástico aumentou em um fator de 20, e atualmente está em cerca de 311 milhões de toneladas por ano. O relatório estima que este número dobre nos próximos 20 anos, e quadruplique até 2050, conforme as nações em desenvolvimento passem a consumir mais plástico.
O lixo que hoje vai parar nos mares já causa impactos nocivos na vida selvagem. Por exemplo, plásticos são frequentemente encontrados nos estômagos de aves marinhas, sacolas são comumente ingeridas por tartarugas e focas, e microplástico que não podemos sequer ver é constantemente ingerido pelos peixes que, em seguida, nós consumimos.

Revisão completa

As desvantagens do plástico não se concentram apenas na quantidade de lixo que acaba nos oceanos. Outro grande problema é o uso de combustíveis fósseis necessários para criar o material.
Atualmente, a produção de plásticos utiliza cerca de 6% do consumo mundial de petróleo – em 2050, esse número pode subir 20%.
O relatório pede uma revisão completa da forma como nós fabricamos plásticos e, em seguida, como lidamos com as montanhas de lixo que o material produz.
“Este relatório demonstra a importância de desencadear uma revolução no ecossistema industrial e é um primeiro passo para mostrar como transformar a maneira que os plásticos se movem através de nossa economia”, explicou Dominic Waughray no Fórum Econômico Mundial. “Para passar de uma visão para a ação em larga escala, é claro que ninguém pode trabalhar sozinho. O público, o setor privado e a sociedade civil todos precisam se mobilizar para capturar a oportunidade de uma nova economia circular de plásticos”.

Economia circular

Esse é o conceito o qual a Fundação Ellen MacArthur defende. De acordo com seu website, o modelo econômico “extrair, transformar, descartar” da atualidade depende de grandes quantidades de materiais de baixo custo e fácil acesso, além de energia, mas está atingindo seus limites físicos.
A economia circular é uma alternativa atraente e viável que as empresas já começaram a explorar: uma economia regenerativa e restaurativa, cujo objetivo é manter produtos, componentes e materiais em seu mais alto nível de utilidade e valor o tempo todo.
Hoje, nos EUA, o preço do petróleo está tão baixo que significa que a reciclagem de plásticos sai muito mais cara do que fabricar novos produtos. A Fundação acredita que parte da solução é repensar a forma como usamos plásticos, reduzindo a sua utilização em embalagens, por exemplo. Os fabricantes poderiam ajudar através da produção de artigos de plástico que possam ser reutilizados.
Fonte: hypescience

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Tecnologia transforma resíduos industriais em minerais valiosos

10 de dezembro de 2015 KIRA EGOROVA, GAZETA RUSSA
Geólogo de Voronej, a 500 km de Moscou, inventou uma tecnologia para processar resíduos resultantes da extração do granito e, assim, obter minerais caros. Além de lucro financeiro, processo promete reduzir a poluição no meio ambiente.
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Extração de minerais na cidade de Asbest, nos Urais Foto:Shutterstock/Legion Media

Uma nova tecnologia de processamento da matéria-prima residual jogada fora durante a extração do granito permite obter minerais pesados ​​valiosos, como magnetita, ilmenita, rutilo e zircão, além de reduzir a liberação de resíduos que poluem o meio ambiente.
O valor do produto final ultrapassa em várias vezes o preço do próprio granito. A título de comparação, o mais valioso deles, o zircão é vendido no mercado mundial por US$ 3.000, enquanto o preço do granito esmagado é de apenas US$ 20 por tonelada.
“Essa tecnologia não só cria valor agregado na indústria transformadora, como permite passar para um novo nível de rentabilidade”, diz o autor do projeto, Dmítri Chevtsov, doutorando na faculdade de Geologia da Universidade Estatal de Voronej (VGU, na sigla russa).
Além disso, segundo o geólogo, só na região de Voronej, o grupo de mineração Pavlovski já produziu 30 milhões de toneladas de resíduos com a extração de granito. “Esse material residual cresce 1 milhão de toneladas por ano, intensificando a poluição do meio ambiente”, acrescenta.
Os resíduos menores são levados pelo vento, formando nuvens de poeira prejudiciais para a atmosfera. Também se infiltram na terra e chegam aos lençóis freáticos, contaminando a água.
Tamanho X lucro
Os geólogos da VGU estudaram a composição mineral dos resíduos e, com base nessa análise, desenvolveram uma tecnologia inovadora de tratamento do material que era tradicionalmente descartado.
A nova tecnologia se baseia na divisão de resíduos graníticos em três categorias, conforme o seu tamanho: partículas maiores (entre 5 a 2,5 mm), médias (de 2,5 a 0,2 mm) e pequenas (inferiores a 0,2 mm).
“As duas primeiras categorias podem ser adicionadas ao revestimento do asfalto e também usadas na fabricação de produtos de concreto armado”, diz Chevtsov. Porém, segundo o cientista, ambas não trazem grandes lucros.
O principal interesse comercial para a indústria está no processamento da terceira categoria, durante o qual são obtidos minerais valiosos usados em qualquer produção de alta tecnologia.
“O zircão é necessário na indústria nuclear, sem ele não se consegue lançar o átomo pacífico. Mas ele tem aplicação também em outras áreas mais cotidianas, como, por exemplo, na fabricação de esmaltes de alta qualidade para revestimentos”, diz o reitor da faculdade de Geologia da VGU, Viktor Nenakhov.
Fonte: http://gazetarussa.com.br/ciencia/2015/12/10/tecnologia-transforma-residuos-industriais-em-minerais-valiosos_549563

Nanotubos de carbono são aposta russa para meio ambiente

Tecnologia nacional reduz custo de produção dos nanotubos de carbono em até 100 vezes. Uso de elemento natural pode auxiliar na redução do impacto ambiental da produção e utilização de diferentes materiais, como metais e eletrônicos.

Diâmetro de nanotubo de parede única chega a até 1,5 nanômetro Foto:Getty Images

Uma nova tecnologia de fabricação de nanotubos de carbono, que aumenta a resistência de metais, borracha e outros elementos estruturais em 70%, promete diminuir o uso desses materiais na fabricação sobretudo de eletrônicos e ajudará a reduzir as emissões de dióxido de carbono na Rússia em 160 a 180 milhões de toneladas até 2030.
“Os nanotubos não criam apenas um efeito positivo indireto na eletrônica e indústria, levando à redução das emissões de CO2”, explica Albert Nassibulin, professor do Instituto de Ciência e Tecnologia de Skôlkovo e especialista na área dos nanomateriais. “É possível a conversão direta do CO2 em nanotubos de carbono”, acrescenta.
A expectativa é que os nanotubos, atualmente usados no revestimento de aeronaves, chips e displays finos, sejam também aplicados no futuro na produção de uma nova geração de painéis solares, assim como em dispositivos de armazenamento de energia.
“Basta adicionar pequenas quantias desse material para melhorar significativamente a resistência ao desgaste e a durabilidade de compósitos metálicos e poliméricos”, diz Nassibulin. Segundo ele, a adição de nanotubos em concentrações mínimas (menos de 1%) ao alumínio, por exemplo, permite obter um metal com a resistência do titânio.
A tecnologia já havia sido anunciada durante o discurso do presidente russo Vladímir Pútin na Conferência do Clima em Paris, em novembro passado.
Custo reduzido
Em essência, os nanotubos de carbono são compostos de grafeno (presente no grafite do lápis comum), ou uma forma cristalina de carbono, com estrutura enrolada em cilindro.
Enquanto os nanotubos de paredes múltiplas utilizados já são fabricados por empresas internacionais há algum tempo, a produção de nanotubos de parede única, que têm aplicação em eletrônicos e são, portanto, mais valorizados no mercado, era até recentemente realizada apenas por laboratórios, com custo de US$ 150 mil por quilo.
O acadêmico siberiano Mikhail Predtêtchenski, que é um dos fundadores da empresa OCSiAl, foi a primeira pessoa no mundo a propor uma tecnologia que reduz o custo da produção industrial de nanotubos de parede única em até 100 vezes – US$ 3 mil/quilo.
O resultado da descoberta foi a construção, em 2013, da maior planta industrial do mundo para síntese de nanotubos de parede única, a Graphetron 1.0, em Novosibirsk, que hoje exporta para mais de 30 países, incluindo Japão, EUA, Alemanha e Israel.
“As propriedades dos nanotubos são bem conhecidas, mas muita gente ainda olha para eles como um aditivo de uso específico e limitado. Lutamos contra esse estereótipo”, disse à Gazeta Russa a diretora de marketing da OCSiAl, Ksênia Kulgáeva.
Atualmente, a empresa de Novosibirsk está planejando abrir um centro de prototipagem de tecnologias com base em nanotubos de carbono de parede única para a fabricação de borrachas, compósitos, baterias de lítio-íon e outros materiais.
Fonte: http://gazetarussa.com.br/ciencia/2016/01/12/7-de-janeiro-nanotubos_553993

domingo, 10 de janeiro de 2016

Belo Monte ameaça 50 espécies de peixes únicas no mundo

Especialistas denunciam que 450 represas puueden acabar con um terço dos peixes de rio do mundo nas bacias do Amazonas, do Congo e do Mekong, nas quais vivem 4.000 espécies de peixes fluviais

Queimada florestal junto ao rio Xingu (Pará), preparando terreno para a represa de Belo Monte. LILO CLARETO
Quase 500 barragens projetadas nas bacias de três dos principais rios do planeta colocam um terço dos peixes de rio em risco, segundo denúncia feita nesta sexta-feira por 40 especialistas na revista científica Science. Apenas no Brasil, a represa da hidrelétrica de Belomonte coloca em risco 50 espécies que só existem no país. Enquanto nas nações industrializadas emerge um movimento para destruir as represas mais nocivas, existem projetos para construir 450 novas barragens nas bacias dos rios Amazonas (América do Sul), Congo (África) e Mekong (Ásia). Os signatários do artigo denunciam a “falta de transparência” durante os processos de autorização das represas e a “falta de protocolos” para avaliar seu impacto ambiental.
“Esses projetos abordam importantes necessidades energéticas, mas seus defensores costumam superestimar os benefícios econômicos e subestimar os efeitos de longo prazo sobre a biodiversidade e recursos pesqueiros cruciais”, alertam os autores, liderados pelo ecologista Kirk Winemiller, professor da Universidade Texas A&M (EUA).
Nas bacias dos rios Amazonas, Congo e Mekong vivem 4.000 espécies de peixes de rio, uma terça parte de todas as conhecidas no planeta. A maioria não é encontrada em nenhum outro lugar. Os 40 especialistas salientam que “as grandes represas invariavelmente reduzem a diversidade pesqueira”, além de impedir a conexão entre diferentes populações fluviais e bloquear o ciclo de vida normal de espécies migratórias. “Isso pode ser especialmente devastador para os estoques pesqueiros tropicais, nos quais muitas espécies de grande valor migram centenas de quilômetros”, argumentam.
Entre os signatários há dezenas de professores de universidades dos EUA, Brasil, Reino Unido, Camboja e Alemanha, além de especialistas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e da União Internacional para a Conservação da Natureza.
“Mesmo quando as avaliações de impacto ambiental são obrigatórias, milhões de dólares podem ser gastos em estudos que não têm nenhuma influência real para os projetos, às vezes porque eles são finalizados quando a construção já está em andamento”, denunciam os autores.
Winemiller recorda o caso do rio Xingu, um importante afluente do Amazonas. Seu trecho inferior é um complexo de corredeiras que serve de hábitat a quase meia centena de espécies pesqueiras que não são encontradas em nenhum outro ponto da Terra. “Essas espécies, que alimentam os pescadores locais que abastecem o comércio internacional de peixes ornamentais, estão agora ameaçadas pelo gigantesco projeto hidrelétrico de Belo Monte”, observa Winemiller. Esse complexo de represas no Estado do Pará, com conclusão prevista para este ano, foi projetado para ser a terceira maior usina hidrelétrica do mundo, atrás apenas das de Três Gargantas (China) e Itaipu (Brasil/Paraguai).
“Esse polêmico projeto está quase terminado e vai alterar radicalmente o rio, sua ecologia e a vida da população local, especialmente das comunidades indígenas que dependiam dos serviços que o ecossistema do rio proporciona”, acrescenta Winemiller. A construção é parte do Programa de Aceleração do Crescimento do Governo brasileiro, que busca impulsionar o desenvolvimento econômico do país. A organização Survival, que defende os direitos dos povos indígenas em todo o mundo, denunciou que “a represa destruiria os meios de subsistência de milhares de indígenas que dependem da selva e do rio para obter água e alimentos”.
“Somos céticos quanto à afirmação de que as comunidades rurais no Amazonas, no Congo e no Mekong estariam se beneficiando mais pelo fornecimento deenergia e a geração de emprego do que sofrendo prejuízos pela perda da pesca, da sua agricultura e das suas propriedades”, dizem os autores na Science. Os cientistas pedem que as autoridades utilizem os métodos analíticos mais modernos para levar em conta todos os impactos acumulativos das represas sobre o meio ambiente e as populações locais, com o objetivo de descartar projetos muito prejudiciais ou realocá-los para trechos fluviais menos frágeis.
Os especialistas calculam que em 75% dos casos a construção das grandes represas no mundo teve estouros orçamentários de quase 100% dos valores estimados previamente. A equipe recorda o caso da represa de Três Gargantas, em que o Governo chinês precisou destinar 26 bilhões de dólares (105,3 bilhões de reais, pelo câmbio atual) adicionais para atenuar o impacto ecológico.
“As agências governamentais responsáveis pelas autorizações para a construção de represas devem exigir avaliações de impacto ambiental rigorosas e amparadas na ciência, em escala regional”, pleiteia Winemiller. Além disso, afirma ele, as instituições financeiras, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, “devem exigir garantias de que esse tipo de avaliação ocorra antes da aprovação dos financiamentos”.
Emmanuel Boulet, especialista-chefe em questões ambientais do Banco Interamericano de Desenvolvimento, recorda que há protocolos internacionais de boas práticas para a construção de barragens fluviais. “Quando aplicados, podemos ter resultados benéficos para todos, como na usina hidrelétrica de Reventazón, na Costa Rica, ou na central hidrelétrica de Chaglla, no Peru”, opina. O banco concedeu créditos de 200 milhões e 150 milhões de dólares, respectivamente, para esses dois projetos.
Boulet, no entanto, aceita as críticas. “Reconhecemos que os países podem melhorar seu planejamento da energia hidrelétrica. Em outras palavras, temos de realizar os projetos adequados e fazê-los adequadamente.”
Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/08/ciencia/1452249996_241713.html

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Desastre de Mariana causa destruição de mais de 660 quilômetros de rios

Passagem da lama pelo Rio Doce, por causa do rompimento de barragens em Mariana (MG), causa desastre ambiental

O desastre ambiental provocado pelo rompimento da Barragem do Fundão, da Mineradora Samarco em Mariana (MG), no último dia 5 de novembro, atingiu 663 quilômetros de rios e resultou na destruição de 1.469 hectares de vegetação, incluindo Áreas de Preservação Permanente, mostra laudo técnico preliminar do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). No distrito de Bento Rodrigues, 207 das 251 edificações (82%) ficaram soterradas.
Os rejeitos de mineração formaram uma onda de lama que afetou diretamente 663 quilômetros no Rio Doce e seus afluentes, chegando ao oceano, no município de Linhares, no Espírito Santo, em menos de cinco dias. A lama avançou pelo rio com grande velocidade. No dia 21, alcançou o mar. Blocos de contenção foram posicionados na foz do rio para controlar o impacto ambiental da chegada da lama ao mar, no entanto os rejeitos avançaram pela barreira deixando enorme mancha no mar do Espírito Santo.
Segundo o Ibama, não é possível dizer se a mancha aumentou ou diminuiu nos últimos dias. “Existem vários fatores que influenciam o tamanho da pluma que é vista na superfície, tais como vento, correntes, vazão do rio, chuva e até mesmo a metodologia utilizada para fazer a medição. Sabe-se que ainda há lama descendo o rio. A quantidade de material em suspensão na foz é variável” informou a assessoria do órgão.
O aumento da turbidez da água, e não uma suposta contaminação, provocou a morte de milhares de peixes e outros animais. Ainda de acordo com o Ibama, das mais de 80 espécies de peixes apontadas como nativas antes da tragédia, 11 são classificadas como ameaçadas de extinção e 12 existiam apenas lá.
Ainda não é possível afirmar como será o processo de recuperação, pois o desastre está em curso. O Ibama monitora os parâmetros de qualidade da água e avalia que espécies foram mais atingidas. Para o instituto, mais importante que a recuperação da água é a recuperação dos ecossistemas afetados. Trata-se de avaliação complexa e que está em andamento. O Ibama produzirá um laudo com informações atualizadas após o fim do lançamento de rejeitos.

A destruição de Áreas de Preservação Permanente ocorreu no trecho de 77 quilômetros de cursos d'água da barragem de Fundão até o Rio do Carmo, em São Sebastião do Soberbo (MG). Os impactos no ambiente marinho não foram avaliados até o momento. Com informações da Agência Brasil
Fonte: NMB