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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Todos pelo meio ambiente

Desafios impostos pela necessidade de promover o desenvolvimento e preservar os recursos naturais mobilizam autoridades, empresários e até mesmo crianças em todo o mundo. O DF segue essa tendência e dá exemplo

A destruição das árvores, a poluição dos rios e o desperdício de água e eletricidade têm despertado diversos segmentos da sociedade para um novo desafio: a consciência ecológica. Não é de hoje que especialistas alertam para o risco de as próximas gerações sentirem os efeitos da degradação do meio ambiente. Diante desse cenário, microempresários, escolas, professores e representantes de diversos setores têm despertado para o reaproveitamento de resíduos antes considerados lixo. A ideia da sustentabilidade é responsável por movimentar a economia, gerar renda e emprego. Esse movimento também é acompanhado no Distrito Federal.

Entre os protagonistas dessa história está a artesã Ana Maria Romeiro, 50 anos. Nas mãos da artista, a casca do abacaxi, a palha de milho, o bagaço da cana e a folha de bananeira se transformam em blocos de nota, painéis, revestimento para parede, quadros, porta-retratos e até mesmo convites de casamento e objetos de decoração. No Zoológico de Brasília, o ambientalista Raimundo Pereira Barbosa conseguiu reduzir a conta da água de R$ 99 mil, em maio de 2009, para R$ 657,74 no mesmo mês deste ano. A solução foi consertar os vazamentos nos recintos dos animais e abrir quatro poços artesianos.

Pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) sondou 3.912 empresários no país em relação à percepção da importância de gerir o negócio de maneira sustentável. Desses, 70 questionários foram aplicados no DF, sendo três no ramo do agronegócio, 32 na indústria da construção civil e 35 no comércio e serviços. Dos entrevistados, 70,2% disseram realizar ações de sustentabilidade, como coleta seletiva de lixo; 72,4% fazem o controle do consumo de papel; 80,6% monitoram o consumo de água; 81,7% regulam a despesa com energia e 65,6% dizem destinar adequadamente os resíduos tóxicos, como solventes, produtos de limpeza, cartuchos e tinta.
Gerente da Unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia do Sebrae, Flávia Firme destaca que essa mudança de pensamento ocorre em razão de o consumidor estar mais interessado em adquirir produtos e serviços de práticas economicamente viáveis, socialmente justas e ecologicamente corretas. Como no Brasil, o modelo de sustentabilidade cresce em todo o mundo e, além de ações de reciclagem de papel, de plástico e demais materiais — cujo processo de decomposição pode levar milhares de anos, como é o caso do vidro —, a construção civil tem estudado formas de aproveitar esses resíduos antes de descartá-los. "A consciência ambiental já é uma realidade e esse movimento não vai parar. As pessoas estão muito mais conscientes e exigentes e as empresas mais preocupadas com isso", destacou Flávia.
Rio+20
Preocupados com o futuro do planeta, desde 13 de junho, líderes e representantes de diversos países se uniram com objetivo de renovar o compromisso político com o desenvolvimento sustentável e discutir quais ações serão tomadas nas próximas décadas. Esse foi o mote da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), encerrada oficialmente ontem. Agora, especialistas e autoridades que participaram do evento estudam formas para tirar do papel os compromissos assumidos.

No Distrito Federal, o Judiciário está entre os que contribuem para a utilização adequada dos recursos naturais. O Fórum Desembargador Joaquim de Sousa Neto, conhecido como Fórum Verde, foi inaugurado em abril do ano passado como a primeira obra sustentável da Justiça brasileira e a pioneira no Centro-Oeste. A construção foi feita com o objetivo de aproveitar ao máximo a iluminação e ventilação naturais. O Correio apresenta agora cinco ações exemplares de sustentabilidade aplicadas no DF.
Curiosidades
Tempo de decomposição de alguns materiais:
Papel: 3 a 6 meses
Jornal: 6 meses
Palito de madeira: 6 meses
Toco de cigarro: 20 meses
Nylon: mais de 30 anos
Chicletes: 5 anos
Pedaços de pano: 6 meses a 1 ano
Fralda descartável biodegradável: 1 ano
Fralda descartável comum: 450 anos
Lata e copos de plástico: 50 anos
Lata de aço: 10 anos
Tampas de garrafa: 150 anos
Isopor: 8 anos
Plástico: 100 anos
Garrafa plástica: 400 anos
Pneu: 600 anos
Vidro: 4.000 anos
Borracha: tempo indeterminado
Fonte: ecolegal.com.br
Folha de bananeira vira livro

Há 12 anos, a artesã Ana Maria Romeiro, 50 anos, descobriu uma forma de fabricar papel sem derrubar árvores a partir da casca do abacaxi, do bagaço de cana, do saco de cimento e da folha de bananeira. Ela largou o trabalho industrial na produção do artesanato, para se dedicar à coleta desses resíduos naturais. Ana Maria firmou uma parceria com agricultores rurais para entrega da matéria-prima, com o também da palha de milho e do bagaço da cana. "Eles fornecem as cascas que antes eram descartadas. Muitos perceberam que, depois de colher, podem transformar o material que sobrou em arte e em renda para a família", explica.
Com o material em mãos, Ana, os filhos, o marido, João de Macedo, 52 anos, produzem blocos de notas, porta-retratos, convites de casamento e revestimento de parede como decoração. O trabalho de confecção do artesanato, leva um dia — entre separação das fibras e secagem do material — e requer dedicação e criatividade para agregar valor ao produto e agradar o público. O cento do convite de casamento personalizado custa entre R$ 600 e R$ 1,5 mil. "Meu objetivo é despertar a população para essa consciência ambiental", destaca Ana. O site papelete.com.br apresenta o trabalho da artesã.

Iniciativas verdes em sala de aula
Aos 5 anos, Letícia Leão Buson sabe bem a importância de separar o lixo. Essa lição, ela aprendeu em casa e na escola. Na sala de aula, quatro minilixeiras de cores diferentes orientam os alunos a jogar o resíduo no local apropriado. "O azul é para colocar papel. Já a marrom, o resto de comida", detalha a menina. Letícia é aluna do Colégio Marista e integra uma turma composta por 24 alunos.

Além disso, a professora Maria Stella Machado ensina os alunos a desligar a luz ao deixar o espaço e a usar a própria garrafa de água para evitar o uso de copos plásticos descartáveis.
Quando os estudantes realizam atividades em que é necessário utilizar papel, como desenhos e pinturas, a escola oferece folhas de rascunho. O pequeno Otto Dreer sabe que é preciso economizar esse recurso. "Eu desenho do outro lado da folha", conta. A partir do 2ºano, o uso da garrafinha é obrigatório na escola. Na entrada do Marista, há ainda uma caixa para descarte de pilhas. "A gente tem uma parceria com empresas de materiais. A preocupação é transformar essas crianças em adultos conscientes", garante a supervisora operacional Marley Caetano de Oliveira.

Economia animal no zoológico
Apesar de a escassez de água ser um preocupação mundial, muitas pessoas insistem em desperdiçá-la por meio de atitudes diárias, como escovar os dentes ou tomar banho. O consumo diário considerado ideal pela Organização das Nações Unidas (ONU) é de 110 litros de água por habitante. Em Brasília, cada pessoa gasta 274,6 litros, média que enquadra o DF entre as unidades da Federação que mais utilizam o recurso. O Lago Sul é o campeão, com 1.026 litros por morador, ou seja, 10 vezes mais que o recomendado.
Pensando na redução dos gastos e na utilização correta do recurso natural, o Zoológico de Brasília consertou vazamentos nos recintos dos animais e, em vez de usar a água da Caesb, construiu quatro poços artesianos. A água passou por análise da qualidade e não oferece risco algum aos bichos, segundo o ambientalista Raimundo Pereira Barbosa. A conta de em maio de 2009 foi de R$ 99 mil e este ano passou para apenas
R$ 657,74. De janeiro a junho de 2012, a soma dos gastos foi de R$ 9.479,90, economia de R$ 513 milhões se comparado ao primeiro semestre de 2011, quando a despesa chegou a R$ 523.346,65. "Se todo mundo souber usar o recurso, nós o teremos por um bom tempo, mas, se desperdiçamos, a água vai faltar para alguém", acredita Raimundo.

Saco de cimento vira tijolo
Quem diria que um saco de cimento vazio poderia ser utilizado para a fabricação de tijolos? Depois de quatro anos de estudo, o pesquisador da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Brasília (UnB), Márcio Buson descobriu que o material poderia ser usado na construção civil. "A fibra desse material é longa e muito resistente, além de ser um resíduo abundante e descartado todos os dias", destacou. O produto é incorporado ao solo natural para fabricação dos blocos de terra compactada. O resultado é um tijolo mais resistente que o tradicional. "Viajei para Portugal e fiz um ensaio de resistência ao fogo e ele teve desempenho excelente, muito melhor que o de solo de cimento", explicou.
Márcio conta que, no fim do ano passado, a quantidade despachada pela indústria era de 80 milhões de sacos de cimento. "Este ano, acredito que chegaremos a 1 bilhão. É uma quantidade muito grande de resíduos jogado na natureza", disse. A utilização de um modelo sustentável, no entanto, ainda enfrenta resistência por parte do mercado, além de pressão econômica de segmentos da indústria. "A arquitetura de terra, mesmo sendo usada no mundo inteiro, ainda é difícil no Brasil, mas, de gotinha em gotinha, a gente enche um balde", acredita.

Judiciário local dá exemplo
O Fórum Desembargador Joaquim de Sousa Neto, no Setor de Indústrias Gráficas, é a primeira obra sustentável do Judiciário brasileiro e a primeira do gênero a ser construída no Centro-Oeste. A arquitetura levou em consideração a ventilação e iluminação naturais, além de proporcionar conforto e beleza ao lugar, com a criação de uma cobertura com jardim. A profissional responsável pelo projeto, Sandra Henriques, diz que é possível falar em sustentabilidade sem necessariamente gastar muito. "Em Brasília, temos uma vegetação de cerrado que possibilita uma visão da paisagem natural e uma incidência solar muito boa. Podemos fazer uma arquitetura eficiente, com o mínimo de equipamentos sofisticados, que proporcione conforto, beleza e salubridade", explica.
A obra considerou ainda medidas para evitar o uso de ar condicionado e aproveitar a vegetação do lugar, em uma tentativa de humanizar o ambiente de trabalho. A construção conquistou o terceiro lugar do Prêmio Green Buiding Brasil, na seleção de prédios que mais se destacaram na redução do impacto socioambiental. "Foi um investimento que só acrescentou. É uma consciência que deveria existir sempre. Uma boa arquitetura é sustentável e a tendência é que essa ideia se multiplique", acredita Sandra.
Fonte: Cliping

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