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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Rio+20: líderes mundiais divergem em propostas para preservar meio ambiente

(Atualiza com discurso do presidente do Governo espanhol). Manuel Pérez Bella. Rio de Janeiro, 20 jun (EFE).- A cúpula da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20 começou nesta quarta-feira no Rio de Janeiro com um amplo consenso na urgência da preservação do planeta, mas com grandes diferenças nas propostas dos países para atingir este objetivo.

Chefes de Estado e de Governo e altos representantes de 193 países se reuniram no Rio para reafirmar o compromisso com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, num encontro que vai se prolongar até sexta-feira.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou no discurso de abertura que o mundo "não pode se permitir o luxo de perder mais tempo" para mudar o modelo econômico vigente e torná-lo mais sustentável. Ban pediu aos países que "superem os interesses particulares" e pensem nas gerações futuras.

A mensagem, porém, não tocou boa parte dos líderes presentes, que divergiram bastante entre si, o que dificultou a formalização de um acordo mais amplo na Rio+20. A presidente Dilma Rousseff, na qualidade de anfitriã, pronunciou o discurso mais caloroso a favor do acordo assinado nesta terça-feira, cujo conteúdo foi proposto pelo Brasil e que teve os pontos mais polêmicos eliminados para evitar o fracasso das negociações. Dilma celebrou a aprovação do compromisso de erradicar a pobreza e a renovação do princípio de "responsabilidades comuns mas diferenciadas", que transfere a pressão de interromper a mudança climática principalmente para os ombros dos países mais ricos.

O otimismo, porém, desapareceu no discurso do presidente francês, François Hollande, que afirmou que o acordo que será assinado pelos governantes é "insuficiente" para dar às questões ambientais uma maior importância na agenda global. Hollande anunciou que seguirá promovendo em fóruns internacionais a criação de uma agência da ONU dedicada ao meio ambiente, uma das aspirações da União Europeia na Rio+20 e que foi eliminada do texto final pela pressão de alguns países em desenvolvimento, entre eles o Brasil.

A China, um dos maiores poluidores do mundo, jogou uma ducha de água fria na plenária do Riocentro, onde está sendo realizado o encontro, ao deixar claro que a preservação ao meio ambiente não será uma prioridade do país se isto frear seu crescimento. O primeiro-ministro chinês, Wen Jibao, disse que "não se pode limitar" o ritmo de crescimento dos países e sustentou que a China terá mais capacidade de promover a transição para uma economia verde se continuar se desenvolvendo.

Estas divisões entre os países significam a maior "fraqueza" da comunidade internacional e representam o maior risco para o planeta, segundo alertou o presidente do Chile, Sebastián Piñera, que assim como o resto dos líderes latino-americanos demonstrou seu compromisso com a preservação ambiental e a justiça social. Na mesma linha, a presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, criticou os países que "seguem sem assumir seus compromissos" e lembrou que a deterioração do meio ambiente afeta a "todos".

O presidente peruano, Ollanta Humala, fez um mea culpa e admitiu que "durante séculos" foram cometidos "erros terríveis" em relação ao meio ambiente em seu país. Humala, no entanto, frisou que agora o Peru apoia incondicionalmente a preservação da floresta amazônica. O Paraguai, representado por seu chanceler, Jorge Lara Castro, afirmou que a natureza não deve ser tratada "como uma mercadoria" e defendeu um modelo de desenvolvimento que permita a população ter "uma vida digna".

A presidente argentina, Cristina Kirchner, retornou ao seu país sem participar da conferência e não explicou os motivos da decisão. A imprensa da Argentina atribuiu sua volta a uma greve de caminhoneiros.

O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, advertiu que só os projetos ambientais viáveis do ponto de vista econômico serão sustentáveis e defendeu uma "economia verde" que reúna proteção do meio ambiente e geração de emprego. "Estou convencido que o meio ambiente só pode ser preservado se incorporamos o valor econômico em nossas decisões como governantes. O que não for viável do ponto de vista econômico, não poderá se sustentar, e ao mesmo tempo algo que não for sustentável, não será útil economicamente", disse Rajoy. Após os discursos, acontecerá uma recepção oficial para os presidentes e a apresentação do espetáculo "Um Brasil para iniciantes", que faz um passeio pelas tradições musicais brasileiras.

   A Rio+20, realizada no vigésimo aniversário da Cúpula da Terra (ECO-92), que também ocorreu no Rio de Janeiro, prosseguirá nesta quinta-feira com os pronunciamentos das autoridades que não falaram hoje, entre elas a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.
Fonte: R7 Noticias

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