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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Parlamento Europeu cancela ida à Rio+20

O Parlamento Europeu decidiu nesta terça-feira (8) cancelar a ida da delegação de deputados à Conferência da ONU sobre o Desenvolvimento Sustentável Rio+20, que será realizada no Rio de Janeiro entre os dias 13 e 22 de junho, devido ao elevado custo da viagem.

A medida foi tomada pelos coordenadores da Comissão do Meio Ambiente da instituição, que constataram que os gastos seriam muito elevados e injustificáveis num período de crise. "O Parlamento cancelou sua delegação na Rio+20 pelos custos excessivos. O Brasil deveria realmente controlar os custos para evitar um grande fracasso", afirmou hoje pelo Twitter o deputado holandês Gerben-Jan Gerbrandy.

Gerbrandy se mostrou "decepcionado" pelos abusos do setor hoteleiro da cidade, que pedia até 600 euros por noite, e considerou que o governo brasileiro deveria intervir nesta situação, sobretudo levando em conta a realização da Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.
Num debate realizado na Comissão do Meio Ambiente em 26 de abril, o eurodeputado alemão Matthias Groote explicou que o preço estimado da hospedagem da delegação teria aumentado de 10 mil euros previstos inicialmente para 100 mil euros.
Na ocasião, os coordenadores decidiram enviar apenas um eurodeputado para a conferência, mas hoje cancelaram totalmente a missão. Onze eurodeputados viriam inicialmente para a Rio+20.
"Os organizadores mudam as condições constantemente, pedem que as reservas sejam feitas por uma semana completa, apesar de não precisarmos deste tempo", lamentou Groote durante o debate.

A organização também não teria oferecido aos deputados europeus uma sala de reuniões, segundo o socialista alemão. "É uma pena que os organizadores, e não só eles, nos tenham levado a isto. Quando se quer convidar o mundo inteiro é preciso tratar os convidados de outra maneira", criticou.

sábado, 5 de maio de 2012

Meio ambiente é preocupação para 94% dos brasileiros; desmatamento assusta

A preocupação dos brasileiros com o aquecimento global e problemas ambientais de uma forma geral aumentou nos últimos anos, segundo uma pesquisa nacional realizada pelo Ibope a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O percentual de pessoas que se dizem preocupadas com o meio ambiente aumentou de 80%, em 2010, para 94%, em 2011. Além disso, 44% dos entrevistados afirmaram que a proteção ao meio ambiente tem prioridade sobre o crescimento econômico, comparado a 30% anteriormente. Só 8% disseram que o crescimento econômico é prioritário, e 40% acreditam que é possível conciliar ambos.

Com relação às mudanças climáticas, 79% acham que o aquecimento global é causado pelo ser humano, e o porcentual que considera esse aquecimento um problema "muito grave" aumentou de 47%, em 2009, para 65%, em 2011. Entre os entrevistados, 66% classificaram o aquecimento global como "um problema imediato, que deve ser combatido urgentemente".

É a terceira vez que a CNI encomenda uma pesquisa de opinião sobre meio ambiente ao Ibope, dentro da série Retratos da Sociedade Brasileira - que também já abordou temas como saúde e educação. Algumas perguntas são inéditas, enquanto outras são repetidas dos anos anteriores, permitindo comparações.

"A ideia é conhecer a opinião da sociedade sobre temas importantes. Com a chegada da Rio+20 (a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre em junho), resolvemos repetir a pesquisa sobre meio ambiente", diz o gerente executivo de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca.

Foram entrevistadas 2.002 pessoas com mais de 16 anos em todas as regiões do País, entre 2 e 5 de dezembro de 2011. As perguntas foram agrupadas em três grandes temas: meio ambiente; mudanças climáticas; e coleta seletiva e reciclagem de lixo.

O desmatamento é o problema ambiental que mais preocupa os brasileiros, citado por 53% dos entrevistados. Em seguida aparecem a poluição das águas, citada por 44% das pessoas, e o aquecimento global, com 30%.

Comportamento. Mais da metade dos entrevistados (52%) disse estar disposta a pagar mais por um produto ambientalmente correto, comparado a 24% que afirmaram não estar dispostos. Para 16%, a decisão "depende do quanto mais caro" custa o produto. Apenas 18%, porém, disseram ter modificado efetivamente seus hábitos de consumo em prol da sustentabilidade - por exemplo, preferindo produtos ecologicamente corretos ou deixando de comprar aqueles nocivos ao meio ambiente.

"Não basta saber a opinião das pessoas; queremos saber como elas se comportam com relação a essa opinião", afirma Fonseca. A maioria das pessoas disse que evita o desperdício de água (71%) e energia (58%), mas é difícil saber quanto disso é resultado de uma preocupação ambiental versus uma preocupação econômica com as despesas da casa.

Entre os dados que mais chamaram a atenção da CNI está o porcentual de pessoas que apontam a indústria como principal responsável pelo aquecimento global. A taxa passou de 25%, em 2010, para 38%, em 2011 - apesar de a principal fonte de emissão de gases do efeito estufa no País ser o desmatamento, não a indústria.

As empresas agropecuárias - setor mais associado ao desmatamento - foram citadas por apenas 3% dos entrevistados. Além disso, 42% avaliaram que as iniciativas das empresas em prol da preservação ambiental mantiveram-se "inalteradas" nos últimos anos, assim como as dos governos (44%). Só 33% acharam que houve aumento de iniciativas ambientais nesses setores.
"Precisamos trabalhar muito sobre esses dados", disse o gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Shelley de Souza Carneiro. "A indústria foi o setor que mais atuou pelo desenvolvimento sustentável nos últimos 20 anos."

Num esforço para mudar essa percepção, a CNI pretende lançar na Rio+20 uma série de 16 documentos temáticos mostrando o que cada setor da indústria - por exemplo, automotivo, de alimentação, mineração, energia - tem feito pelo desenvolvimento sustentável.

Reciclagem. Mais da metade dos brasileiros (59%), segundo a pesquisa, separa algum tipo de lixo para reciclagem, e 67% consideram a reciclagem "muito importante" para o meio ambiente. Porém, 48% dizem não ter acesso direto à coleta seletiva de lixo - índice que chega a 68% nas Regiões Norte e Centro-Oeste. Dados que mostram um descompasso entre a preocupação da população com o tema e a capacidade de fazer alguma coisa para resolvê-lo.
Fonte: Paraiba.com.br

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Recicle óleo de cozinha e conserve a casa e o meio ambiente

Ao acabar de fazer aquela porção deliciosa de batatas fritas, muita gente se depara com o dilema: o que fazer com o óleo? Não são poucos os que simplesmente o despejam pelos ralos ou jogam na privada. Quem faz isso geralmente não sabe que está plantando as sementes de um grande problema futuro. O resíduo líquido da fritura pode causar graves entupimentos nos encanamentos do prédio, cujos custos de reparo são altos. De maneira menos perceptível, mas tão grave quanto, o óleo usado é, também, um agente poluente que colocamos de volta no meio ambiente. Em vez disso, ele poderia virar sabão, tinta, verniz e biodiesel.

Foi a questão de o que fazer com os resíduos da fritura que levou a aposentada Cláudia Iramaia a procurar o síndico do seu prédio e propor uma solução. Ela já havia tido contato com a reciclagem de óleo, que é feita onde seu filho mora. Já no condomínio de Cláudia não havia esse tipo de serviço. Ela chegou a conversar com alguns moradores, que descartavam o resíduo pelas tubulações e nunca tinham pensado no problema. A administração do prédio acabou encontrando uma empresa que faz a coleta. Foi colocado um tambor na garagem do edifício no qual as pessoas colocam garrafas PET ou potes de vidro em que armazenam o óleo usado. Quando o recipiente está cheio, a empresa o esvazia.

Cláudia encontrou vizinhos dispostos a fazer a reciclagem, mas se não tivesse, poderia contar com a ajuda da Associação Brasileira para Sensibilização, Coleta e Reciclagem de Resíduos de Óleo Comestível, conhecida também como Ecóleo. O interessado pode procurar a entidade, que fornecerá material de sensibilização para ser distribuído, como folhetos e cartazes. Ela conta com uma rede de associados espalhada em vários pontos do Brasil, e que fazem o trabalho de coleta do material.

As empresas costumam trabalhar com volumes mínimos de 50 litros. Algumas pagam de 20 a 30 centavos por litro, valor que pode ser negociado entre o coletor e o condomínio. Célia Marcondes, presidente da Ecóleo, diz que há soluções também para quem quer reciclar pequenas quantidades. "A associação conta com um grupo de catadores credenciados, que passam nas residências pegando os resíduos e levando para um ecoponto, que são centros de coleta de materiais recicláveis em geral. A Ecóleo tem, em seu site, o endereço de ecopontos no Brasil todo", afirma ela.

Para se ter ideia do impacto da coleta, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) iniciou, em 2007, um programa pioneiro no bairro paulistano de Cerqueira César. O resultado foi a diminuição em 26% dos problemas de entupimento de canos na região. Os moradores continuaram cozinhando, mas sem gerar o que Marcondes chama de "colesterol da tubulação".

Fonte: PrimaPagina
Especial para o Terra

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Meio Ambiente - Situação do saneamento no Brasil é dramática e não condiz com crescimento econômico do país, diz especialista

Os indicadores de saneamento no Brasil são “dramáticos” e fazem o país parecer parado no século 19. A avaliação é do presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos. A organização não governamental realiza estudos e acompanha a situação do saneamento básico no país.

De acordo com o Trata Brasil, os últimos dados disponíveis do Ministério das Cidades, de 2009, mostram que cerca de 55,5% da população brasileira não estão ligados a qualquer rede de esgoto e que somente um terço dos detritos coletados no país é tratado.

“Podemos dizer que a grande maioria do esgoto do país continua indo para os cursos d’água, os rios, as lagoas, os reservatórios e, consequentemente, o oceano. O Brasil parou no século 19. Qualquer indicador que você pegue tem níveis dramáticos, que não têm nenhuma relação com o avanço econômico que o Brasil vem tendo”, disse Carlos.

Para o especialista, o Brasil teve avanços, principalmente com a criação do Ministério das Cidades e com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os progressos, no entanto, ainda são tímidos em relação às necessidades do país.

Segundo ele, atualmente são investidos entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões por ano em saneamento no Brasil, quantia inferior à necessária para atingir as metas do governo até 2030 – investimento de R$ 420 milhões pelos próximos 18 anos, o que corresponde a cerca de R$ 20 bilhões por ano, de acordo com estimativas feitas pelo Ministério das Cidades.

Mesmo com o aumento dos recursos para saneamento básico nos últimos anos, principalmente por causa do PAC, a maioria dos projetos não sai do papel. Um levantamento divulgado no início de abril deste ano pelo Trata Brasil, sobre as 114 principais obras de saneamento da primeira fase do programa, mostra que apenas 7% delas estão prontas. Entre as demais, 32% estavam paralisadas e 23% atrasadas.

“O problema não é a falta de recursos. Os municípios não conseguem tocar as obras. Muitos projetos [apresentados ao PAC] estavam desatualizados e tinham problemas técnicos. Muitas obras não passaram nem na primeira inspeção [do programa]”, informou o especialista.

Para Édison Carlos, os principais entraves ao avanço do saneamento básico no país são a falta de prioridade dada pelos políticos à questão e a falta de interesse da população em cobrar essas obras das autoridades.

O Instituto Trata Brasil participará da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Cnuds), a Rio+20, mas Édison Carlos é cético em relação aos avanços que poderão ser obtidos.

“Espero estar errado, mas acho que temas como os biocombustíveis, a questão da floresta e o efeito estufa tendem a dominar as discussões. Além disso, o que costuma balizar essas discussões são temas econômicos”.
Fonte: Portal Bragança