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quinta-feira, 29 de março de 2012

O EFEITO DO MEIO AMBIENTE NO PIB


Se meio ambiente contasse, PIB do Brasil seria de 3% e não 34% em duas décadas, diz especialista!
LONDRES - O Brasil paga um preço alto por seu rápido desenvolvimento econômico, de acordo
com um novo estudo divulgado ontem na conferência Planeta sob Pressão, em Londres.
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Entre 1990 e 2008, a riqueza do país, medida pelo Produto Interno Bruto (PIB) per capita, aumentou 34%. Mas o foco econômico do índice pode mostrar um quadro não muito fiel da realidade nacional, segundo o trabalho. No mesmo período, o capital natural, ou seja, a soma dos recursos naturais - de florestas a combustíveis fósseis - caiu 46%, como revela o Indicador Inclusivo de Riqueza, um índice criado experimentalmente para se contrapor ao PIB como forma de avaliar o progresso de uma nação.
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Se o capital natural, o humano e o manufaturado fossem considerados em conjunto com o objetivo de se obter um retrato mais real do país, o crescimento, no mesmo período, ficaria em
3%. Na Índia, onde o aumento do PIB per capita entre 1990 e 2008 foi de 120%, no novo índice ficaria em 9%.
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O trabalho no Brasil e na Índia revela por que o PIB é inadequado, e sujeito a interpretações errôneas, como índice de progresso econômico a longo prazo - afirmou o diretor-executivo do Programa Internacional de Dimensões Humanas da Universidade das Nações Unidas, Anantha Duraiappah. - Um país pode exaurir completamente seus recursos naturais e, ainda assim, apresentar um crescimento significativo do PIB.
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Precisamos de um indicador que estime a real riqueza das nações, a natural, a humana, a manufaturada e, idealmente, também a social e a ecológica. Na análise do especialista, a situação do Brasil não é tão ruim quanto pode parecer.
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O crescimento do Brasil foi positivo, não negativo, como em outros países - explicou. - Isso significa está em um caminho sustentável. Os números relativos a Brasil e Índia divulgados ontem fazem parte de um estudo mais abrangente, feito com 20 países que respondem por 72% do PIB mundial e 56% da população global. O relatório completo será lançado na Rio+20.
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Nosso objetivo é apresentar o novo índice a cada dois anos, como forma de dar aos governos
subsídios para a transição para a chamada economia verde, criando bases econômicas produtivas e sustentáveis para o futuro - disse Duraiappah.
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A necessidade de se ter outras formas de medir o crescimento de um país que não seja apenas pela acumulação de riquezas foi um tema central ontem na conferência.
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A Rio+20 marcará o aniversário do reconhecimento da exaustão desse modelo econômico construído após a II Guerra Mundial - afirmou a diretora do Centro de Desenvolvimento
Sustentável da Sciences Po, em Paris, e professora da Universidade de Columbia, nos EUA, Laurence Tibiana.
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Precisamos começar a entender prosperidade como equidade, não como acúmulo de dinheiro, crescimento do PIB.
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Opinião compartilhada pela antropóloga Mamphela Ramphele, do Banco Mundial.
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Para um país ser sustentável ele precisa ter equidade social - afirmou. - Os países pobres querem crescer, mas querem ter equidade. Saúde e educação não são medidos no PIB. Precisamos de índices melhores.
Fonte:Por Roberta Jansen
(roberta.jansen@oglobo.com.br) Agência O Globo

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