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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

ONU pede mais ambição de países em negociação climática de Doha

ONU pede mais ambição de países em negociação climática de Doha

Secretária de convenção da ONU disse não haver recuo em planos. Próxima conferência do clima ocorre em novembro no Qatar.

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A chefe das negociações de clima da ONU, Christiana Figueres, disse nesta segunda-feira (1°) que os países não recuaram do que foi acordado em Durban no ano passado, mas afirmou que as ações atuais e promessas não são suficientes para evitar um perigoso aumento das temperaturas globais.
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Falando no Fórum de Carbono da América do Norte, em Washington, a secretária executiva da Convenção da ONU sobre mudança do clima (UNFCCC, na sigla em inglês), Christiana disse que, embora os países desenvolvidos e em desenvolvimento estejam fazendo "um bom progresso na direção certa", a caminho de um acordo legal, os atuais esforços globais são insuficientes.
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"Estamos aumentando o alcance e a cobertura das emissões e aumentando também a natureza jurídica dessas reduções, porque estamos indo de promessas voluntárias para um acordo legalmente vinculante", disse Figueres numa entrevista coletiva.
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"No entanto, mesmo que entre em vigor, o fato é que todos esses esforços, na verdade, representam 60% do esforço global que precisa ser feito se quisermos manter um aumento de 2 graus (da temperatura global)", acrescentou, referindo-se ao limite que cientistas impuseram para evitar mudanças climáticas perigosas.
A secretária-executiva da UNFCCC, Christiana Figueres, em entrevista realizada nesta terça-feira (2), nos Estados Unidos (Foto: Rogan Ward/Reuters)A secretária-executiva da UNFCCC, Christiana Figueres, em entrevista realizada nesta terça-feira (2), nos Estados Unidos (Foto: Rogan Ward/Reuters)
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Possível retrocesso
No ano passado, os negociadores reunidos em Durban, na África do Sul, concordaram em formalizar um novo acordo de redução de emissão de gases-estufa legalmente vinculante em 2015, que iria entrar em vigor até 2020, em que tanto os países ricos como os mais pobres iriam participar.
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Figueres disse que apesar de alguns relatos após Durban de que algumas das principais economias emergentes, como China e Índia, voltaram atrás em aceitar um acordo obrigatório, ela não vê "qualquer movimento de afastamento de onde Durban nos deixou."
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"Nenhum comentário que ouvi depois de Durban me surpreende ou me interessa. Estou realmente muito satisfeita que os países estejam levando o texto de Durban muito a sério", disse ela.
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A chefe do clima da ONU disse que a Plataforma de Durban, assim como outros textos negociados internacionalmente, foi deixada "criativamente ambígua" para servir como um ponto de partida para a próxima rodada de negociação.
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O documento denominado “Plataforma de Durban para Ação Aumentada” aponta uma série de medidas que deverão ser implementadas, mas na prática, não há medidas efetivas urgentes para conter em todo o planeta o aumento dos níveis de poluição nos próximos oito anos.
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Apesar da urgência para reduzir as emissões globais, os países acordaram que vão implementar medidas obrigatórias somente a partir de 2020
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Ação urgente, mas nem tanto
Ele prevê a criação de um acordo global climático que vai compreender todos os países integrantes da UNFCCC e irá substituir o Protocolo de Kyoto. Será desenhado pelos países “um protocolo, outro instrumento legal ou um resultado acordado com força legal” para combater as mudanças climáticas.
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Isso quer dizer que metas de redução de gases serão definidas para todas as nações, incluindo Estados Unidos e China, que não aceitavam qualquer tipo de negociação se uma das partes não fosse incluída nas obrigações de redução.
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O delineamento deste novo plano começará a ser feito a partir das próximas negociações da ONU, o que inclui a COP 18, que vai acontecer em 2012 no Catar. O documento afirma que um grupo de trabalho será criado e que deve concluir o novo plano em 2015.
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As medidas de contenção da poluição só deverão ser implementadas pelos países a partir de 2020, prazo estabelecido na Plataforma de Durban, e deverão levar em conta as recomendações do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que será divulgado entre 2014 e 2015.
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Em 2007, o organismo divulgou um documento que apontava para um aumento médio global das temperaturas entre 1,8 ºC e 4,0 ºC até 2100, com possibilidade de alta para 6,4 ºC se a população e a economia continuarem crescendo rapidamente e se for mantido o consumo intenso dos combustíveis fósseis.
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Entretanto, a estimativa mais confiável fala em um aumento médio de 3 ºC, assumindo que os níveis de dióxido de carbono se estabilizem em 45% acima da taxa atual. Aponta também, com mais de 90% de confiabilidade, que a maior parte do aumento de temperatura observado nos últimos 50 anos foi provocada por atividades humanas.
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*Com informações da Reuters
A metrópole chinesa de Wuhan foi coberta por nuvem amarelada espessa nesta segunda (11). Aumentando os temores de poluição entre seus nove milhões de habitantes. (Foto: AFP)A metrópole chinesa de Wuhan coberta por nuvem amarelada espessa. Novo plano de combate às emissões globais só entrará em vigor a partir de 2020 (Foto: AFP)

ONU diz que emissão de gases pode ultrapassar limite para 2020

ONU diz que emissão de gases pode ultrapassar limite para 2020

Cumprimento de acordos climático não é suficiente, diz relatório. Pnuma aponta que são necessários mais investimentos 'verdes'.

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Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgado nesta quarta-feira (21) alerta que, mesmo se os países aplicarem até 2020 políticas públicas que ajudem a reduzir a emissão de gases de efeito estufa, o limite máximo proposto pelos cientistas para aquela data terá sido ultrapassado.
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Esse limite representa para a ciência climática estagnar a elevação da temperatura global em, no máximo, 2 ºC acima dos níveis pré-industriais ainda neste século.
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De acordo com o relatório “A lacuna das emissões”, em tradução livre do inglês, mesmo que todos os países cumpram nos próximos oito anos o que foi prometido em acordos climáticos firmados em conferências da ONU, delineados dentro da Convenção da ONU para Mudança Climática (UNFCCC, na sigla em inglês), eles ainda emitiriam 8 bilhões de toneladas (gigatoneladas) de gases a mais que o limite proposto para 2020.
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O teto de emissões fixado por cientistas para 2020 é de 44 gigatoneladas de CO2 equivalente (medida que soma a concentração de dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e outros gases).
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No entanto, há um cenário pior, caso nada seja feito. Se nos próximos oito anos nenhum governo cumprir o que prometeu e as políticas verdes deixarem de ser vistas como prioridade - acrescentando ainda o desenvolvimento econômico previsto para o período, as emissões de gases ultrapassariam em 14 gigatoneladas o limite calculado pelos cientistas.
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Em comunicado, Achim Steiner, subsecretário-geral da ONU e diretor do Pnuma, disse que a transição para uma economia de baixo carbono e uma economia verde inclusiva ainda acontece de forma lenta “e que a oportunidade de alcançar o alvo de 44 milhões de toneladas de CO2 equivalente diminui anualmente”, explica.
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Mas ainda há solução, diz especialista
Segundo o brasileiro Ronaldo Seroa da Motta, pesquisador da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e um dos autores do estudo, o relatório apresenta formas de como os países podem evitar o lançamento de gases excedentes se utilizarem como políticas públicas exemplos implementados e que já auxiliam na criação de uma economia global sustentável.
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“Países já tomaram iniciativas por conta própria e essas políticas levaram a grandes reduções de emissões (...). A ideia é ampliar essas experiências, expandindo-as para níveis nacionais. A mensagem do relatório é que estamos ameaçando a trajetória que tenta evitar a elevação da temperatura, mas, mesmo com isso, há políticas que podem auxiliar na redução das emissões”, disse Motta ao G1.
Fonte: G1
De acordo com o estudo, com investimentos que reduzem o impacto ambiental em setores como a construção, geração de energia e transporte, é possível evitar a emissão de um total de 17 gigatoneladas de gases até 2020.

Construções e transporte verdes
O capítulo que cita projetos já realizados em alguns países mostra que no setor da construção civil é possível reduzir de 1,4 a 2,9 gigatoneladas de gases com a criação de habitações que colaborem mais com o meio ambiente.
As residências teriam de ser mais eficientes do ponto de vista energético (com a provável aplicação de matrizes renováveis, que usam o vento ou o sol para gerar eletricidade), reduzir gastos com ar condicionado ou aquecimento, além de controlar o fluxo de água, com a aplicação de sistemas de reuso e escoamento de efluentes

Brasil assume presidência do Conselho Mundial da Água

Brasil assume presidência do Conselho Mundial da Água

O novo ocupante do cargo foi escolhido por meio de votação

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água
Trabalho do antigo presidente do WWC, o francês Loïc Fauchon, continuará sendo feito

São Paulo - O engenheiro civil e ambiental Benedito Braga é o mais novo presidente do Conselho Mundial da Água (WWC), órgão que visa debater a gestão do recurso hídrico no mundo e sensibilizar os governos para os problemas ligados a ele. O anúncio foi feito nesta semana, em Marselha, na França, durante a 6ª Assembleia Geral do Conselho.
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O novo ocupante do cargo foi escolhido por meio de votação. O nome de Benedito Braga, que nos últimos três anos ocupou a posição de vice-presidente do WWC, foi unanimidade entre os eleitores: os 36 membros do Conselho votaram no brasileiro, que assumirá o posto pelos próximos três anos.
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Em seu discurso de posse, Braga agradeceu a confiança dos companheiros, prometeu dar continuidade ao trabalho do antigo presidente do WWC, o francês Loïc Fauchon, e disse que vai investir na criação de novas políticas hídricas ao redor do mundo, que levem em conta três pilares: segurança hídrica para as necessidades básicas dos seres humanos; segurança hídrica para o desenvolvimento econômico e segurança hídrica para a sustentabilidade ambiental.
Fonte: Exame.com

Ação rápida é necessária para reduzir diferença em emissões

Ação rápida é necessária para reduzir diferença em emissões

O Banco Mundial advertiu esta semana que o mundo provavelmente vai aquecer de 3 a 4 graus até o final do século                

Poluição em Beijing, Vhina
Poluição em Beijing: "Se nenhuma ação rápida for tomada pelas nações, as emissões deverão estar em 58 gigatoneladas dentro de oito anos", apontou

Londres - As emissões de gases de efeito estufa em 2020 poderão estar entre 8 bilhões e 13 bilhões de toneladas acima do que é necessário para limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius, mostrou um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), nesta quarta-feira.
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O relatório anual, elaborado pelo PNUMA e pela European Climate Foundation, estudou uma série de estimativas para avaliar se as promessas atuais para cortes de emissões são suficientes para limitar os piores efeitos da mudança climática.
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Foi constatado que a diferença entre as promessas de corte de emissões dos países e o que é necessário para ficar abaixo do que os cientistas dizem ser o limite para evitar os efeitos devastadores do aquecimento global tem aumentado desde a estimativa do ano passado de 6 a 11 bilhões de toneladas, devido ao crescimento econômico e outros novos dados.
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O Banco Mundial advertiu esta semana que o mundo provavelmente vai aquecer de 3 a 4 graus até o final do século e o clima extremo vai se tornar o "novo normal", afetando todas as regiões do mundo.
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Cientistas dizem que as emissões atingirão o pico antes de 2020 e cairão para cerca de 44 bilhões de toneladas (gigatoneladas) até 2020 para ter uma boa chance de limitar o aumento da temperatura a menos de dois graus.
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Com base em dados de 2010, as emissões globais estão estimadas em torno de 50 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) -- 20 por cento mais elevados do que as emissões de 2000 e 14 por cento acima do nível necessário em 2020 para ficar abaixo de dois graus, disse o PNUMA.
Fonte: Exame.com

Temperatura pode registrar até 4º a mais no fim do século

Temperatura pode registrar até 4º a mais no fim do século

Estudo encomendado pelo Banco Mundial revelou que o aumento acontecerá se as economias do mundo não adotarem posturas mais ambiciosas                

paisagem em Moçambique
Paisagem de Moçambique: algumas cidades de Moçambique, Madagascar, do México, da Indonésia e do Vietnã estariam mais vulneráveis à elevação do nível do mar

Brasília – Inundação de cidades costeiras, agravamento de seca em algumas regiões do mundo e de ondas de calor são cenários prováveis, caso os países não cumpram as promessas que têm firmado de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
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Estudo encomendado pelo Banco Mundial revelou que se as economias do mundo não adotarem posturas mais ambiciosas em relação ao clima e ao meio ambiente, a temperatura pode registrar até 4 graus Celsius (ºC) a mais no fim deste século.
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De acordo com a pesquisa, todas as regiões do mundo sofreriam, mas as nações mais pobres seriam as mais afetadas pelos riscos à produção de alimentos, que podem elevar as taxas de subnutrição e desnutrição, ao agravamento da escassez de água e à maior ocorrência de fenômenos como ciclones tropicais e perda irreversível da biodiversidade.
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Algumas cidades de Moçambique, Madagascar, do México, da Venezuela, Índia, de Bangladesh, da Indonésia, das Filipinas e do Vietnã estariam mais vulneráveis à elevação do nível do mar em 0,5 metro (m) a 1m até 2100.
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O estudo destaca que as regiões mais vulneráveis estão nos trópicos, em regiões subtropicais e em direção aos polos, onde múltiplos impactos podem ocorrer simultaneamente.
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Mesmo diante do alerta, os representantes do Banco Mundial destacaram que ainda é possível manter a elevação da temperatura no mundo abaixo dos 2ºC, meta assumida por autoridades de quase 200 países que estiveram reunidos na Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, em 2010.
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A possibilidade de evitar 4°C a mais na temperatura mundial, segundo o estudo, dependeria de uma ação política sustentada da comunidade internacional.
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Ainda assim, a pesquisa indica que alguns danos e riscos ao meio ambiente e às populações não poderiam ser mais evitados.
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Pesquisadores da instituição apontam o uso mais eficiente e mais inteligente da energia e dos recursos naturais como uma das medidas de redução do impacto do clima sobre o desenvolvimento, sem que isso represente ameaça ao ritmo de redução da pobreza no mundo e ao crescimento econômico das nações.
Fonte: Exame.com

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Preservação do meio ambiente começa em casa. População precisa fazer a sua parte

Simples. A mudança de comportamento em casa é uma das formas mais fácies de preservar a natureza
Se utilizar a caixa de gordura ecológica WaterClean, nunca mais terá entupimentos no encanamento da cozinha, e dá um importante contributo para a qualidade das águas residuais.
O ambiente agradece

Simples ações que começam dentro de casa surgem como alternativas para a preservação do meio ambiente. Entre vários outros benefícios, a mudança de comportamento pode contribuir para a redução de emissões de gases poluentes e substâncias responsáveis pelas mudanças climáticas no planeta.

O Dia do Consumo Consciente, comemorado em 15 de outubro, é uma oportunidade para que a população passe a fazer a sua parte.

As geladeiras e os freezers antigos estão entre os principais vilões da atmosfera. Os equipamentos de refrigeração produzidos até 2001 contêm clorofluorcarbono (CFC), substância destruidora da camada de ozônio. Caso haja vazamentos do gás, esses aparelhos se tornam potenciais agressores da concentração do gás ozônio que filtra a radiação ultravioleta da Terra.

PREVENÇÃO
No Brasil, o consumo do clorofluorcarbono foi proibido, mas ainda existem os chamados bancos de CFC, presentes justamente nos refrigeradores mais velhos. De acordo com a coordenadora de Proteção da Camada de Ozônio do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Magna Luduvice, o ideal seria substituí-los por equipamentos novos. Caso não seja possível trocá-los, a manutenção deve ser feita regularmente por técnicos especializados.

O controle das substâncias destruidoras do ozônio deve se estender ao comércio. Para combater a liberação indevida de hidroclorofluorcarbono (HCFC), outro responsável pelo buraco da camada de ozônio, o MMA e a Associação Brasileira de Supermercados desenvolvem um projeto demonstrativo de treinamento para manutenção de refrigeradores em estabelecimentos do ramo. “O índice de vazamentos em supermercados é muito alto”, alerta Magna.

ENERGIA
A substituição por refrigeradores mais recentes também traz benefícios em relação ao consumo de energia. Tanto para as geladeiras, quanto para os demais eletrodomésticos, é necessário dar preferência a produtos com o Selo A do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). “A preservação da camada de ozônio e a eficiência energética têm uma ligação significativa.

É importante incentivar boas práticas nesse sentido”, afirma Magna.
Confira dicas de consumo consciente:
- ECONOMIZE ENERGIA ELÉTRICA:
- não deixe luzes acesas sem necessidade;
- compre eletrodomésticos eficientes (Classe A);
- troque lâmpadas incandescentes por fluorescentes
- não tome banhos demorados e, no verão, ajuste a chave do chuveiro;
- utilize aquecedor solar quando possível;
- mantenha a borracha vedadora de sua geladeira sempre em boas condições
- limpe ou troque os filtros do ar-condicionado;
- evite usar a secadora de roupas;
- configure seu computador para o modo de economia de energia, o monitor é responsável por até 80% do consumo total de uma máquina;

- TRANSPORTES
- dê preferência ao transporte coletivo e à bicicleta;
- ofereça ou pegue carona;
- faça manutenção constante do veículo;
- calibre seus pneus;
- quando for trocar de carro, considere um modelo menos poluente;

OUTRAS INICIATIVAS
- compre móveis feitos com madeira certificada pelo FSC (Forest Stewardship Council);
- separe o lixo
- não desperdice comida;
- dê preferência aos alimentos frescos, em vez dos congelados, que, além de mais caros, consomem até 10 vezes mais energia para serem produzidos;
- evite substituir desnecessariamente aparelhos que agregam alta tecnologia, como por exemplo celulares;
- reduza o consumo de produtos descartáveis;
- para subir dois ou três andares, dê preferência a escada ao invés de usar o elevador;
- imprima apenas o que for necessário e use os dois lados das folhas.
- dê preferência a papéis reciclados sempre que possível;
- sempre que possível faça videoconferências, evitando descolamentos e viagens desnecessárias;
- conscientize-se sobre o produto que está comprando; pesquise se empresa adota ações sustentáveis na produção e se já foi multada por crime ambiental;
- ao investir em um fundo ou empresa, priorize aquelas que têm boas práticas sócio-ambientais

Fonte: Primeira Edição

terça-feira, 2 de outubro de 2012

IV Conferência Nacional de Meio Ambiente (CNMA)


Evento terá reuniões preliminares em todo o país a partir de 10 de janeiro. Etapa nacional será em outubro
A IV Conferência Nacional de Meio Ambiente (CNMA), que acontecerá em Brasília de 24 a 27 de outubro de 2013, terá como foco a Política Nacional de Resíduos Sólidos - uma das principais preocupações ambientais do Brasil após a aprovação da Lei 12.305/2010, que a instituiu. “Com o evento, esperamos contribuir para essa discussão e estabelecer estratégias governamentais para a implementação da política”, afirma o diretor de Cidadania e Responsabilidade Socioambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Geraldo Vitor de Abreu. Segundo ele, o objetivo é disseminar o conhecimento técnico-científico e político relativo ao tema, buscando integrar produção e consumo sustentáveis, enfrentamento dos impactos ambientais e geração de emprego e renda.

As etapas preparatórias, municipais e regionais, serão realizadas de 10 de janeiro a 30 de maio próximos. As estaduais e do Distrito Federal serão se 30 de maio a 10 de setembro. Haverá ainda etapas virtuais de 10 de janeiro até 1 de setembro de 2013. Neste momento, o corpo técnico do MMA está elaborando o texto base que servirá de ponto de partida para as discussões. Uma comissão organizadora nacional contará com órgãos e instituições de governo e a sociedade civil - comunidade acadêmica, povos indígenas, comunidades tradicionais, trabalhadores, organizações não governamentais, movimentos sociais e empresários. A previsão é que a CNMA seja integrada, proporcionalmente, por representantes da sociedade civil (50%), empresariado (30%) e governos (20%).

MOBILIZADORES

Em âmbito estadual e municipal, serão selecionados mobilizadores e articuladores para atuar regionalmente, promovendo o encontro entre prefeituras, Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), secretarias de meio ambiente, conselhos estaduais e organizações da sociedade civil. Após os debates na etapa regional, as propostas aprovadas de natureza municipal ficam para serem implantadas pelo poder local e as demais seguem para a etapa estadual. Em seguida, o mesmo processo culmina nas propostas que chegam à etapa nacional.

Na I CNMA, em 2003, mais de 65 mil pessoas participaram do processo de discussão, entre eles ambientalistas, empresários, governos, academia, comunidades tradicionais, indígenas, sindicatos e outros segmentos da sociedade. Os temas discutidos partiram da realidade de cada uma das cinco regiões e dos 26 estados brasileiros e Distrito Federal. Desse debate, surgiram 323 deliberações (de um total de 659 resoluções) aprovadas pela plenária, sendo que mais de 70% foram transformadas em ações pelo MMA. Alguns exemplos:

- Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia;
- Criação de unidades de conservação de proteção integral e ampliação das já existentes;
- Criação das Comissões Técnicas Tripartites Estaduais;
- Programa Nacional de Capacitação de Gestores Ambientais e Conselheiros do Sisnama;
- Plano BR 163 Sustentável.

A II CNMA, em 2005, teve 86 mil pessoas envolvidas no processo todo. Na plenária final foram votadas 831 deliberações, entre as quais:

- Consolidação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação;
- Fortalecimento de ações de revitalização da bacia do Rio São Francisco;
- Desenvolvimento Sustentável da BR 163 e BR 319;
- Implantação em caráter de urgência de Planos de Ação para a Prevenção e o Controle do Desmatamento (similares ao da Amazônia) para todos os biomas brasileiros, especialmente a Caatinga e o Cerrado.

Já a III CNMA, em 2008, foi dedicada a subsidiar a elaboração do Plano Nacional de Mudanças Climáticas.
Fonte: Jornal Dia a Dia

domingo, 30 de setembro de 2012

O transtorno do mau cheiro

Com a caixa de gordura ecológica WaterClean não existem maus cheiros nem insectos.

Encanamento entupido ou que `exala¿ o mau cheiro significa problema à vista. Quando a água da pia da cozinha, banheiro, vasos sanitários, tanque e dos ralos começa a descer lentamente é o primeiro sinal de que as coisas não andam bem na parte hidráulica do imóvel. Isso quando não há um transbordamento total, que é capaz de tirar qualquer um do sério.

Estar atento é a melhor prevenção. Para evitar os transtornos provocados pelo entupimento, é bom manter uma manutenção periódica semestral, lavando toda a tubulação com hidrojateamento.

Segundo Cristiano Schadt, da Casa do Encanador, as principais causas do odor desagradável e do entupimento de ralos é a má instalação e conservação da tubulação. ¿Grande parte desse problema ocorre quando as pessoas jogam resíduos inadequados em ralos e pias, rompendo o cano, ou, no caso de entupimento, sujeiras vindas de materiais jogados pelos ralos de forma errada, como pequenos objetos atirados no vaso sanitário e restos de materiais de reformas¿.

Outro fator que causa o mau cheiro é a caixa de gordura que deve ser limpa pelo menos de seis em seis meses. ¿Na verdade, a limpeza deste local deve ser periódica, pois ela vai entupindo e a pessoa não percebe.  (Com a caixa de gordura ecológica WaterClean, fica resolvida esta situação definitivamente) www.watercleanbrasil.com.br
Vale lembrar que não é qualquer pessoa que pode realizar a limpeza da caixa e sim uma equipe especializada com equipamentos adequados para tal serviço. Essas pessoas devem ser credenciadas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), pois o lixo retirado não pode ser jogado em qualquer lugar¿, declarou Schadt.

As principais causas dos entupimentos são os fungos, crosta de gordura impregnada na parede interna dos canos, fios de cabelo no ralo do lavatório, objetos de pequeno porte atirados no vaso sanitário e restos de materiais de reformas.
Fonte: odiário.com

Rede hidráulica requer manutenção periódica

A tecnologia também está presente no serviço do encanador e auxilia a encontrar pontos de vazamentos

Realizar limpezas preventivas na rede hidráulica das residências geralmente não é costume dos brasileiros. Mas, conforme explica Cristiano Schadt, gerente de uma empresa especializada em solucionar problemas nos encanamentos, esse é o melhor caminho para evitar entupimentos e vazamentos.

O especialista recomenda que, para evitar transtornos, o morador contrate, uma vez por ano, um encanador para que realize a higienização da tubulação das pias da cozinha e do banheiro e da caixa de gordura. "Assim como as pessoas cuidam para que os automóveis estejam sempre bem conservados, com revisões de rotina, os lares merecem tratamento semelhante", destaca.

De acordo com Schadt, a pia da cozinha é a que mais provoca aborrecimentos. Restos de comida, palitos de dente e até talheres são os principais vilões, porque quando caem no ralo podem ficar retidos no sifão e impedir que a água escoe corretamente. (Com a caixa de gordura ecológica WaterClean, esta situação ficará resolvida definitivamente) www.watercleanbrasil.com.br

O banheiro, seja no lavatório ou no vaso sanitário, é outro local da casa onde o encanamento apresenta recorde de ineficiência. Segundo Schadt, geralmente, a causa é o excesso de fios de cabelo.
"Muitas mulheres têm o hábito de, ao lavar ou pentear os cabelos, descartar os fios que caem no chão ou ficam presos na escova, diretamente, nos ralos ou no vaso sanitário, quando o correto é que sejam descartados na lixeira", ressalta.

O especialista alerta que, ao primeiro sinal de que a água escoa mais lentamente do que o habitual, o proprietário pode tentar resolver o problema depositando soda cáustica ou água quente no encanamento, mas, adverte, se os resultados não forem positivos, chamar um profissional da área para que a higienização seja feita o mais rápido possível é o indicado.


Caixa de gordura
A caixa de gordura é a responsável para que a gordura dos alimentos não chegue até a rede de esgoto, porém, quando o compartimento fica totalmente cheio, o entupimento de pias é apenas um dos problemas desencadeados.(Com a caixa de gordura ecológica WaterClean, esta situação ficará resolvida definitivamente) www.watercleanbrasil.com.br

Para o profissional, mau cheiro e concentração de baratas e outros insetos são comuns em caixas de gordura demasiadamente sujas..(Com a caixa de gordura ecológica WaterClean, esta situação ficará resolvida definitivamente) www.watercleanbrasil.com.br

A limpeza de uma caixa de gordura residencial custa, em média, R$ 100, contabiliza Schad. Já para solicitar a visita de um encanador é preciso desembolsar em torno de R$ 50.(Com a caixa de gordura ecológica WaterClean, esta situação ficará resolvida definitivamente, com o custo de R$ 7,5 por filtro descartável) www.watercleanbrasil.com.br

"A manutenção preventiva é muito acessível. Se for preciso comprar um sifão tradicional novo, por exemplo, o morador irá gasta seis reais, em média",observa.
Fonte: odiário.com

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Governo quer transformar mundial de 2014 em uma copa verde


O Ministério do Meio Ambiente trabalha para transformar a Copa do Mundo de 2014 em uma Copa Verde, reduzindo as emissões de gases poluentes antes e depois do torneio. A idéia é que as obras sejam sustentáveis e não gerem impactos negativos ao meio ambiente.

Não queremos emitir gases de efeito estufa, diz a gerente da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, Karen Cope. Segundo ela, mesmo com os inúmeros benefícios para o país, o mundial pode gerar impactos negativos nas 12 cidades que vão sediar os jogos.

A Copa do Mundo tem um grande potencial de transformação e consolidação das tecnologias de baixo carbono, diz Karen Cope, da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do ministério. O aumento no consumo de energia, a construção de estádios e o deslocamento urbano aparecem como as principais ameaças para o meio ambiente.
Inventário

A Câmara Temática de Meio Ambiente e Sustentabilidade, criada em função da Copa do Mundo, é onde se discute os temas ambientais ligados ao evento. No âmbito das mudanças climáticas, as iniciativas se concentram na gestão das emissões de gases de efeito estufa. Entre elas, está o guia para elaboração de um inventário, com o objetivo de subsidiar a execução de obras sustentáveis nos estados.

Uma parceria com a Embaixada Britânica possibilitou a realização de oficinas de capacitação com representantes de várias cidades-sede. A cooperação tem permitido que as orientações e alternativas sigam as diretrizes do Useful Simple Projects, entidade responsável pelo inventário de emissões de gases de efeito estufa das Olímpíadas de Londres, realizadas neste ano.
Experiência

De acordo com Karen, o ministério defende que as medidas da Copa Verde considerem experiências vividas por outros países que sediaram grandes eventos. Segundo ela, as duas últimas Copas do Mundo, realizadas na África do Sul (2010) e na Alemanha (2006), já levavam em consideração aspectos ambientais. Em muitos casos, tentam compensar as emissões por meio de reflorestamento, afirma. Mas o que queremos é não emitir gases de efeito estufa.

O projeto da Copa Verde envolve diversos órgãos do Executivo. O acordo de cooperação celebrado entre o MMA e o Ministério do Esporte determina que haja um esforço conjunto na incorporação da esfera ambiental às obras decorrentes da competição. Firmado em 2010, o pacto tem, ainda, o objetivo de assegurar o envolvimento dos governos estaduais e municipais no processo.
Fonte: Portal do Planalto e Ministério do Meio Ambiente

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O lixo como oportunidade de sucesso

O lixo como oportunidade de sucesso


Empreendedores encontram no lixo chance de negócio que não viam em matéria prima virgem. A partir de ideias inovadoras e simples, eles mudam suas vidas apostando na transformação de resíduos em lucro certo

A cada ano, cerca de 60 milhões de toneladas de lixo são produzidas em solo brasileiro. Parte desses resíduos é coletada e reaproveitada por cooperativas e grandes companhias de reciclagem e infraestrutura. Outra parte, jogada no meio ambiente, transforma-se em suplício para comunidades carentes que vivem próximas de lixões e aterros. Mas há ainda uma terceira parte que se transforma em oportunidade para pequenos e médios empresários que enxergam no lixo o início de um grande negócio. O site de VEJA conversou com empreendedores que, a partir de ideias inovadoras e simples, mudaram suas vidas apostando na transformação de resíduos em lucro certo e sustentável.

Não se trata apenas de benevolência ou vontade de salvar o planeta. O que os empreendedores brasileiros começam a enxergar é que a possibilidade de se iniciar um negócio a partir de resíduos é, em muitos casos, mais lucrativa do que utilizar matéria prima virgem. Eles também preveem que o lixo se tornará um ativo cada vez mais valioso. De acordo com um estudo do Sebrae, 46% dos pequenos empresários pesquisados identificam oportunidades de ganhos com resíduos – e 48,3% utilizam materiais reciclados em seu processo produtivo. “É muito mais comum eles entrarem em negócios com resíduos por razões econômicas do que pelo puro ato da sustentabilidade. O objetivo é o lucro”, diz Carlos Silva Filho, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

A prosperidade que vem do lixo

Empresários lucram com soluções criativas para reaproveitar materiais que seriam descartados

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A caixinha que vira telha

João Trench Agnelli: suas telhas retiram milhares de embalagens longa vida do meio ambiente Em meados de 2007, os amigos Arthur Goldemberg e João Trench Agnelli decidiram investir em um negócio próprio que fosse ligado à reciclagem. Depois de muito pesquisar, ficaram fascinados pelo processo de fabricação de telhas a partir de embalagens longa vida – mais conhecidas como Tetra Pak, o nome de sua principal fabricante no país. Para colocar a operação de pé, avaliaram o mercado e perceberam que só teriam chances de montar uma empresa sólida se tivessem um parceiro de peso que pudesse fornecer caixinhas usadas. Passaram dois anos tentando emplacar um projeto com a Suzano Papel e Celulose para que ela fornecesse a matéria prima – e conseguiram. Fecharam um contrato de exclusividade com a companhia, que prevê a utilização de sua rede de coleta de papel para receber também as embalagens descartadas no lixo. “Com isso, conseguimos estruturar nosso negócio de forma mais equilibrada, já que o principal gargalo desse tipo de empreitada é a falta de caixinhas”, diz Agnelli (que é filho do ex-presidente da Vale, Roger Agnelli). Segundo ele, são necessárias 1.500 unidades de Tetra Pak para se produzir apenas uma telha.

Após três anos de planejamento, conversas e tentativas, a Ciclo Indústria e Comércio produziu sua primeira telha em junho de 2011. Um ano depois, a produção alcança o patamar de 30 mil telhas por mês e a previsão dos sócios é que chegue a 60 mil no início de 2013. “Nem imaginávamos que fôssemos algum dia ultrapassar as 30 mil telhas. Não esperávamos esse crescimento. Isso mostra que há muita demanda”, afirma Goldemberg. Na opinião do empresário, o principal desafio é vencer o preconceito do consumidor. “Muitos acham que, porque é feito de resíduo, não é bom. Mas é justamente o contrário. São telhas mais resistentes e fazem parte de um ciclo sustentável. Cuidamos para que não haja nenhum resíduo em todo o processo de fabricação”, diz Goldemberg. Preconceitos à parte, as barreiras parecem estar sendo vencidas. Em apenas um ano de operação, a Ciclo, segundo os sócios, já se paga – e dá lucro. (Eles, no entanto, não quiseram informar o valor dos ganhos.)

Não à toa, companhias do porte do Bradesco e Itaú - que não pertencem ao setor de reciclagem - fazem leilões de seu lixo eletrônico para empresas que o reciclam. “Esse tipo de descarte que leva a um retorno passou a ser viabilizado em alguns nichos de negócio, mas não é sempre que isso ocorre em grandes empresas. Depende muito da demanda por aquele lixo e da viabilidade econômica que ele pode proporcionar”, afirma Silva Filho. Segundo dados da Abrelpe, a geração de resíduos aumentou 1,8% em 2011 – um porcentual que é superior à taxa de crescimento populacional do país, que ficou em 0,9%. Ou seja, brasileiros consomem mais, descartam mais e reciclam menos. Ainda de acordo com a associação, 6,4 milhões de toneladas de resíduos sólidos deixaram de ser coletadas no ano de 2011 e acabaram depoistadas no meio ambiente. Segundo um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil deixa de ganhar 8 bilhões de reais com reciclagem de resíduos a cada ano.
Logística reversa – Outro ponto oportuno para empresários que atuam nesse setor é a entrada em vigor da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que foi lançada pelo governo em 2011. Ela prevê que toda a sociedade (indústria, comércio, poder público e consumidores) será responsável pelos produtos que produz e consome e, por consequência, pelo destino que eles terão. Retirar, reutilizar ou neutralizar o impacto desse lixo no meio ambiente é chamado de logística reversa. Dentro desse plano, estabelece-se também o fim dos lixões a céu aberto.
Ainda que membros do próprio governo não acreditem que o PNRS será cumprido à risca, como ocorre com o próprio Ipea, que elaborou estudo crítico a esse respeito, a oportunidade está sendo criada. “Eu pretendo até mesmo iniciar um novo negócio de coleta, desta vez com pneus, porque haverá demanda”, aposta o empreendedor Paulino Andrade, que coleta gratuitamente o lixo eletrônico de empresas e pessoas físicas, por meio de um cadastro em um site na internet: o Cidadão Eco.
Carga tributária – Mesmo com a criação de soluções inteligentes e lucrativas para o lixo, que têm reflexo positivo no meio ambiente e na oferta de emprego, não há nenhum tipo de incentivo governamental específico para o setor. Nos últimos meses, preocupado em tirar o país da rota da crise financeira internacional, o Palácio do Planalto voltou-se, entre outros setores, para a construção civil. Desde março, pisos laminados, revestimentos e outros insumos contam com o benefício da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Contudo, produtos semelhantes, mas originários do lixo, não têm o apoio do estado – e seus fabricantes prosperam unicamente por seus próprios esforços.

Em fevereiro, o senador Paulo Bauer (PSDB-SC) foi um dos autores da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 1/2012), que prevê que produtos elaborados a partir de material reciclado sejam isentos de alguns impostos. O objetivo, segundo o senador, é motivar o empreendedorismo no setor, já que a sustentabilidade por si só ainda não é uma razão suficiente para dar velocidade à expansão de empresas desse nicho. Desde o início do ano, o projeto tramita na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) do Senado.
Fonte: VEJA (Com reportagem de Naiara Infante Bertão)

sábado, 30 de junho de 2012

Copenhague é escolhida Capital Verde Europeia 2014

A cidade dinamarquesa de Copenhague foi escolhida nesta sexta-feira pela Comissão Europeia como a Capital Verde Europeia 2014, em um ato realizado na cidade espanhola de Vitória, cidade que ostenta o titulo durante este ano.

O nome da sucessora de Nantes (França), cidade se tornará a capital ambiental da Europa em 2013, foi divulgado pelo comissário europeu do Meio Ambiente, Janez Potocnik, responsável por anunciar o veredicto do júri. A capital dinamarquesa venceu o prêmio que disputava com cidades como Bristol (Inglaterra) e Frankfurt (Alemanha).

Copenhague tem 1,2 milhão de habitantes e em 2010 perdeu o prêmio na edição na qual Estocolmo foi a vencedora. Entre suas propostas ambientais está chegar em 2025 com emissões zero de CO2 à atmosfera.

Além de Potocnik, o evento de escolha da Capital Verde Europeia para 2014 teve a participação da presidente do Comitê das Regiões da UE, Mercedes Bresso; o ministro de Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente, Miguel Arias Cañete; o lehendakari, Patxi López, e o prefeito de Vitoria, Javier Maroto, entre outros.

Antes de ser divulgado o nome da nova "Capital Verde", López destacou que a cidade de Vitoria se transformou em uma "vitrine de sustentabilidade" para o País Basco e advertiu que neste momento de crise é preciso estabelecer que "toda política de crescimento deve ter o componente da sustentabilidade inserido em seu DNA".

Enquanto isso, Cañete falou que a cidade escolhida deve ser uma "embaixadora do sistema sustentável" e servir de inspiração a outras localidades europeias.

A designação da nova Capital Verde Europeia encerrou um dia que começou com um ato de boas-vindas e seguiu com uma mesa-redonda com representantes de Estocolmo (Suécia) e Hamburgo (Alemanha), cidades que até agora desfrutaram, junto com Vitoria, do título de capitais verdes. Todas elas expuseram suas experiências e a vantagem competitiva que representa práticas de políticas que respeitem o meio ambiente.
Fonte: Terra

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Todos pelo meio ambiente

Desafios impostos pela necessidade de promover o desenvolvimento e preservar os recursos naturais mobilizam autoridades, empresários e até mesmo crianças em todo o mundo. O DF segue essa tendência e dá exemplo

A destruição das árvores, a poluição dos rios e o desperdício de água e eletricidade têm despertado diversos segmentos da sociedade para um novo desafio: a consciência ecológica. Não é de hoje que especialistas alertam para o risco de as próximas gerações sentirem os efeitos da degradação do meio ambiente. Diante desse cenário, microempresários, escolas, professores e representantes de diversos setores têm despertado para o reaproveitamento de resíduos antes considerados lixo. A ideia da sustentabilidade é responsável por movimentar a economia, gerar renda e emprego. Esse movimento também é acompanhado no Distrito Federal.

Entre os protagonistas dessa história está a artesã Ana Maria Romeiro, 50 anos. Nas mãos da artista, a casca do abacaxi, a palha de milho, o bagaço da cana e a folha de bananeira se transformam em blocos de nota, painéis, revestimento para parede, quadros, porta-retratos e até mesmo convites de casamento e objetos de decoração. No Zoológico de Brasília, o ambientalista Raimundo Pereira Barbosa conseguiu reduzir a conta da água de R$ 99 mil, em maio de 2009, para R$ 657,74 no mesmo mês deste ano. A solução foi consertar os vazamentos nos recintos dos animais e abrir quatro poços artesianos.

Pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) sondou 3.912 empresários no país em relação à percepção da importância de gerir o negócio de maneira sustentável. Desses, 70 questionários foram aplicados no DF, sendo três no ramo do agronegócio, 32 na indústria da construção civil e 35 no comércio e serviços. Dos entrevistados, 70,2% disseram realizar ações de sustentabilidade, como coleta seletiva de lixo; 72,4% fazem o controle do consumo de papel; 80,6% monitoram o consumo de água; 81,7% regulam a despesa com energia e 65,6% dizem destinar adequadamente os resíduos tóxicos, como solventes, produtos de limpeza, cartuchos e tinta.
Gerente da Unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia do Sebrae, Flávia Firme destaca que essa mudança de pensamento ocorre em razão de o consumidor estar mais interessado em adquirir produtos e serviços de práticas economicamente viáveis, socialmente justas e ecologicamente corretas. Como no Brasil, o modelo de sustentabilidade cresce em todo o mundo e, além de ações de reciclagem de papel, de plástico e demais materiais — cujo processo de decomposição pode levar milhares de anos, como é o caso do vidro —, a construção civil tem estudado formas de aproveitar esses resíduos antes de descartá-los. "A consciência ambiental já é uma realidade e esse movimento não vai parar. As pessoas estão muito mais conscientes e exigentes e as empresas mais preocupadas com isso", destacou Flávia.
Rio+20
Preocupados com o futuro do planeta, desde 13 de junho, líderes e representantes de diversos países se uniram com objetivo de renovar o compromisso político com o desenvolvimento sustentável e discutir quais ações serão tomadas nas próximas décadas. Esse foi o mote da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), encerrada oficialmente ontem. Agora, especialistas e autoridades que participaram do evento estudam formas para tirar do papel os compromissos assumidos.

No Distrito Federal, o Judiciário está entre os que contribuem para a utilização adequada dos recursos naturais. O Fórum Desembargador Joaquim de Sousa Neto, conhecido como Fórum Verde, foi inaugurado em abril do ano passado como a primeira obra sustentável da Justiça brasileira e a pioneira no Centro-Oeste. A construção foi feita com o objetivo de aproveitar ao máximo a iluminação e ventilação naturais. O Correio apresenta agora cinco ações exemplares de sustentabilidade aplicadas no DF.
Curiosidades
Tempo de decomposição de alguns materiais:
Papel: 3 a 6 meses
Jornal: 6 meses
Palito de madeira: 6 meses
Toco de cigarro: 20 meses
Nylon: mais de 30 anos
Chicletes: 5 anos
Pedaços de pano: 6 meses a 1 ano
Fralda descartável biodegradável: 1 ano
Fralda descartável comum: 450 anos
Lata e copos de plástico: 50 anos
Lata de aço: 10 anos
Tampas de garrafa: 150 anos
Isopor: 8 anos
Plástico: 100 anos
Garrafa plástica: 400 anos
Pneu: 600 anos
Vidro: 4.000 anos
Borracha: tempo indeterminado
Fonte: ecolegal.com.br
Folha de bananeira vira livro

Há 12 anos, a artesã Ana Maria Romeiro, 50 anos, descobriu uma forma de fabricar papel sem derrubar árvores a partir da casca do abacaxi, do bagaço de cana, do saco de cimento e da folha de bananeira. Ela largou o trabalho industrial na produção do artesanato, para se dedicar à coleta desses resíduos naturais. Ana Maria firmou uma parceria com agricultores rurais para entrega da matéria-prima, com o também da palha de milho e do bagaço da cana. "Eles fornecem as cascas que antes eram descartadas. Muitos perceberam que, depois de colher, podem transformar o material que sobrou em arte e em renda para a família", explica.
Com o material em mãos, Ana, os filhos, o marido, João de Macedo, 52 anos, produzem blocos de notas, porta-retratos, convites de casamento e revestimento de parede como decoração. O trabalho de confecção do artesanato, leva um dia — entre separação das fibras e secagem do material — e requer dedicação e criatividade para agregar valor ao produto e agradar o público. O cento do convite de casamento personalizado custa entre R$ 600 e R$ 1,5 mil. "Meu objetivo é despertar a população para essa consciência ambiental", destaca Ana. O site papelete.com.br apresenta o trabalho da artesã.

Iniciativas verdes em sala de aula
Aos 5 anos, Letícia Leão Buson sabe bem a importância de separar o lixo. Essa lição, ela aprendeu em casa e na escola. Na sala de aula, quatro minilixeiras de cores diferentes orientam os alunos a jogar o resíduo no local apropriado. "O azul é para colocar papel. Já a marrom, o resto de comida", detalha a menina. Letícia é aluna do Colégio Marista e integra uma turma composta por 24 alunos.

Além disso, a professora Maria Stella Machado ensina os alunos a desligar a luz ao deixar o espaço e a usar a própria garrafa de água para evitar o uso de copos plásticos descartáveis.
Quando os estudantes realizam atividades em que é necessário utilizar papel, como desenhos e pinturas, a escola oferece folhas de rascunho. O pequeno Otto Dreer sabe que é preciso economizar esse recurso. "Eu desenho do outro lado da folha", conta. A partir do 2ºano, o uso da garrafinha é obrigatório na escola. Na entrada do Marista, há ainda uma caixa para descarte de pilhas. "A gente tem uma parceria com empresas de materiais. A preocupação é transformar essas crianças em adultos conscientes", garante a supervisora operacional Marley Caetano de Oliveira.

Economia animal no zoológico
Apesar de a escassez de água ser um preocupação mundial, muitas pessoas insistem em desperdiçá-la por meio de atitudes diárias, como escovar os dentes ou tomar banho. O consumo diário considerado ideal pela Organização das Nações Unidas (ONU) é de 110 litros de água por habitante. Em Brasília, cada pessoa gasta 274,6 litros, média que enquadra o DF entre as unidades da Federação que mais utilizam o recurso. O Lago Sul é o campeão, com 1.026 litros por morador, ou seja, 10 vezes mais que o recomendado.
Pensando na redução dos gastos e na utilização correta do recurso natural, o Zoológico de Brasília consertou vazamentos nos recintos dos animais e, em vez de usar a água da Caesb, construiu quatro poços artesianos. A água passou por análise da qualidade e não oferece risco algum aos bichos, segundo o ambientalista Raimundo Pereira Barbosa. A conta de em maio de 2009 foi de R$ 99 mil e este ano passou para apenas
R$ 657,74. De janeiro a junho de 2012, a soma dos gastos foi de R$ 9.479,90, economia de R$ 513 milhões se comparado ao primeiro semestre de 2011, quando a despesa chegou a R$ 523.346,65. "Se todo mundo souber usar o recurso, nós o teremos por um bom tempo, mas, se desperdiçamos, a água vai faltar para alguém", acredita Raimundo.

Saco de cimento vira tijolo
Quem diria que um saco de cimento vazio poderia ser utilizado para a fabricação de tijolos? Depois de quatro anos de estudo, o pesquisador da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Brasília (UnB), Márcio Buson descobriu que o material poderia ser usado na construção civil. "A fibra desse material é longa e muito resistente, além de ser um resíduo abundante e descartado todos os dias", destacou. O produto é incorporado ao solo natural para fabricação dos blocos de terra compactada. O resultado é um tijolo mais resistente que o tradicional. "Viajei para Portugal e fiz um ensaio de resistência ao fogo e ele teve desempenho excelente, muito melhor que o de solo de cimento", explicou.
Márcio conta que, no fim do ano passado, a quantidade despachada pela indústria era de 80 milhões de sacos de cimento. "Este ano, acredito que chegaremos a 1 bilhão. É uma quantidade muito grande de resíduos jogado na natureza", disse. A utilização de um modelo sustentável, no entanto, ainda enfrenta resistência por parte do mercado, além de pressão econômica de segmentos da indústria. "A arquitetura de terra, mesmo sendo usada no mundo inteiro, ainda é difícil no Brasil, mas, de gotinha em gotinha, a gente enche um balde", acredita.

Judiciário local dá exemplo
O Fórum Desembargador Joaquim de Sousa Neto, no Setor de Indústrias Gráficas, é a primeira obra sustentável do Judiciário brasileiro e a primeira do gênero a ser construída no Centro-Oeste. A arquitetura levou em consideração a ventilação e iluminação naturais, além de proporcionar conforto e beleza ao lugar, com a criação de uma cobertura com jardim. A profissional responsável pelo projeto, Sandra Henriques, diz que é possível falar em sustentabilidade sem necessariamente gastar muito. "Em Brasília, temos uma vegetação de cerrado que possibilita uma visão da paisagem natural e uma incidência solar muito boa. Podemos fazer uma arquitetura eficiente, com o mínimo de equipamentos sofisticados, que proporcione conforto, beleza e salubridade", explica.
A obra considerou ainda medidas para evitar o uso de ar condicionado e aproveitar a vegetação do lugar, em uma tentativa de humanizar o ambiente de trabalho. A construção conquistou o terceiro lugar do Prêmio Green Buiding Brasil, na seleção de prédios que mais se destacaram na redução do impacto socioambiental. "Foi um investimento que só acrescentou. É uma consciência que deveria existir sempre. Uma boa arquitetura é sustentável e a tendência é que essa ideia se multiplique", acredita Sandra.
Fonte: Cliping

O Dia D do meio ambiente urbano

Expira em 2 de agosto o prazo legal para que cada uma das 5.565 cidades brasileiras conclua e apresente o seu Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. É o que prevê a Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), cujos princípios mais importantes estabelecem o fim dos lixões em todo o país e sua substituição por aterros sanitários, a adoção da chamada logística reversa (uma corresponsabilidade de fabricantes/importadores, distribuidores e varejistas), a coleta seletiva, correta destinação, reaproveitamento e reciclagem do lixo.

Considerada a relevância dessa lei e o avanço que significará para o Brasil, é preocupante constatar o silêncio da grande maioria das cidades quanto à elaboração dos planos locais para a gestão dos resíduos sólidos, uma competência inalienável do poder público municipal. Será que todas já fizeram a decisiva lição de casa e estão aguardando a data certa para fazer o grande anúncio? Ou estariam apostando na velha prática brasileira de adiamento de decisões e providências, mesmo algumas de alto significado para toda a sociedade?

Caso prevaleça a segunda hipótese, a omissão pode ser um tiro no pé, pois o Ministério do Meio Ambiente já afirmou que o prazo não será prorrogado. E nem deveria, pois já não era sem tempo que o Brasil precisava adotar uma política avançada e eficaz para responder aos desafios relativos ao lixo urbano, um dos mais graves da civilização contemporânea.

Os Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, segundo determina a Lei 12.305, devem ser compatíveis com a realidade local. Trata-se de um projeto complexo e detalhado. Assim, os municípios que não iniciaram o trabalho há mais tempo dificilmente terão condições de fazer tudo às pressas, apenas para cumprir o prazo legal. As dificuldades começam no processo de capacitação dos profissionais. Não há condições de prepará-los do dia para a noite de modo que possam atuar de modo eficiente nesses planos.

A elaboração de cada projeto deve considerar três pilares essenciais: 1) o operacional, que delineia as bases da coleta (inclusive seletiva), destinação, reaproveitamento e reciclagem; 2) o econômico, voltado à viabilização do plano; 3) e o jurídico, referente à decisão se sua implantação, que será feita por meio de parceria público-privada, concessão à iniciativa particular ou recursos próprios da municipalidade. Ademais, a legislação faculta aos pequenos municípios, cuja dificuldade é maior em apresentar escala suficiente para viabilizar um modelo de negócio sustentável a longo prazo, a formação de consórcios intermunicipais e a elaboração de planos microrregionais.

Seja como for, os municípios têm a importante missão social de transformar suas práticas ambientais, e o prefeito é o principal agente dessa mudança. Assim, a Lei 12.305 deve ser vista, muito além de uma obrigação, como oportunidade de elevar as cidades a novos patamares na gestão de resíduos, com impacto direto na qualidade da vida de seus habitantes.

O Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos é, ainda, condição indispensável para que se tenha acesso aos recursos da União destinados a empreendimentos e serviços relacionados à limpeza urbana e ao manejo de resíduos sólidos, bem como a benefícios, incentivos e financiamentos de organismos federais de crédito para fomento de tal atividade. Ou seja, os municípios que não entregarem o plano até 2 de agosto — Dia D do Meio Ambiente Urbano Nacional — terão de arcar sozinhos com os custos de implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Muito mais do que a perda de recursos financeiros, o atraso na implantação desses planos seria muito nocivo ao habitat e às condições da vida dos brasileiros. Além disso, significaria um mau exemplo para a sociedade, cuja educação ambiental deve partir do poder público, de maneira que possamos avançar como nação verdadeiramente desenvolvida. Este, aliás, é um tema muito oportuno para as campanhas eleitorais deste ano, quando serão eleitos prefeitos e vereadores em todos os municípios brasileiros.
Fonte: Jornal do BrasilTadayuki Yoshimura*

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Município pede a Sanepar mais investimentos para evitar vazamentos em Londrina


                                                       www.watercleanbrasil.com.br

A Sanepar e a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) assumiram o compromisso de tentar diminuir os incidentes de vazamento de esgoto e poluição em Londrina nesta segunda-feira (25). Representantes de ambas e os membros do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma) se reuniram para tratar do problema e encontrar soluções.

Vazamentos têm sido constatados constantemente. Em maio, uma ocorrência do Ribeirão Quati, no Jardim Leonor, zona oeste de Londrina, rendeu uma multa de R$ 200 mil a Sanepar, a segunda dada em 2012. Nesta segunda-feira (25), a gerente regional da empresa, Mara Kalinowski, e outros três representantes participaram da reunião do Consemma.

O secretário muncipal do Ambiente, Gilmar Domingues Pereira, afirmou que foram mostrados vídeos e fotos dos vazamentos. A proposta apresentada pelo município é do reforço no efetivo de fiscalização para prevenir os vazamentos, além do aumento de investimentos na rede.

"O Consemma está solicitando para a empresa um comparativo entre investimentos e arrecadação. Sabemos que toda verba é feita pela metodologia distributiva, é distribuída em todos os municípios. Nós queremos que o dinheiro arrecadado em Londrina fique para Londrina na melhoria da rede", colocou.

A Sanepar também cobrou da prefeitura melhora na fiscalização, argumento aceito pelo secretário. "Ela colocou que é necessária uma minunciosa fiscalização com relação às caixas de gordura, fiscalização de ligações clandestinas. Eles alegam que a taxa de permeabilidade não está sendo respeitada e que o município não está conseguindo fiscalizar", comentou.

Um técnico da empresa foi colocado à disposição da Sema para ajudar nas fiscalizações. Dentro de 15 dias, o conselho chamará uma reunião extraordinária, na qual deverá ser assinado um documento entre a Sanepar e a secretaria para prevenção dos vazamentos.

Além do documento, Pereira defendeu a realização de uma campanha de conscientização. "Há a necessidade de uma campanha muito ampla de educação ambiental com relação ao problema do esgoto em Londrina. Nunca houve uma campanha de esclarecinento, qual o papel de uma caixa de gordura", exemplificou.
Fonte: odiário.com

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Ministra do Meio Ambiente defende texto que será votado na Rio+20

Izabella Teixeira destacou os pontos positivos do documento

A ministra do meio-ambiente Izabella Teixeira defendeu com firmeza às criticas em relação ao documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, apresentado pela primeira vez aos chefes de estado nesta quarta-feira (20).

Durante coletiva de imprensa com o embaixador Luis Alberto Figueiredo Machado, a ministra reafirmou o compromisso do Brasil com as questões ambientais, mas admitiu que as dificuldades impostas nas negociações, principalmente pelos países ricos, impediram que os avanços fossem ainda maiores.

“Houve, sim, dificuldades para que países desenvolvidos alocassem mais recursos”, afirmou, referindo-se as nações que dificultaram a negociação em torno da realocação e do financiamento de propostas de preservação. Estados Unidos, a União Européia e Japão principalmente, alegaram problemas financeiros causados pelos impactos da crise econômica internacional.
Fonte: Terra

Rio+20: líderes mundiais divergem em propostas para preservar meio ambiente

(Atualiza com discurso do presidente do Governo espanhol). Manuel Pérez Bella. Rio de Janeiro, 20 jun (EFE).- A cúpula da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20 começou nesta quarta-feira no Rio de Janeiro com um amplo consenso na urgência da preservação do planeta, mas com grandes diferenças nas propostas dos países para atingir este objetivo.

Chefes de Estado e de Governo e altos representantes de 193 países se reuniram no Rio para reafirmar o compromisso com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, num encontro que vai se prolongar até sexta-feira.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou no discurso de abertura que o mundo "não pode se permitir o luxo de perder mais tempo" para mudar o modelo econômico vigente e torná-lo mais sustentável. Ban pediu aos países que "superem os interesses particulares" e pensem nas gerações futuras.

A mensagem, porém, não tocou boa parte dos líderes presentes, que divergiram bastante entre si, o que dificultou a formalização de um acordo mais amplo na Rio+20. A presidente Dilma Rousseff, na qualidade de anfitriã, pronunciou o discurso mais caloroso a favor do acordo assinado nesta terça-feira, cujo conteúdo foi proposto pelo Brasil e que teve os pontos mais polêmicos eliminados para evitar o fracasso das negociações. Dilma celebrou a aprovação do compromisso de erradicar a pobreza e a renovação do princípio de "responsabilidades comuns mas diferenciadas", que transfere a pressão de interromper a mudança climática principalmente para os ombros dos países mais ricos.

O otimismo, porém, desapareceu no discurso do presidente francês, François Hollande, que afirmou que o acordo que será assinado pelos governantes é "insuficiente" para dar às questões ambientais uma maior importância na agenda global. Hollande anunciou que seguirá promovendo em fóruns internacionais a criação de uma agência da ONU dedicada ao meio ambiente, uma das aspirações da União Europeia na Rio+20 e que foi eliminada do texto final pela pressão de alguns países em desenvolvimento, entre eles o Brasil.

A China, um dos maiores poluidores do mundo, jogou uma ducha de água fria na plenária do Riocentro, onde está sendo realizado o encontro, ao deixar claro que a preservação ao meio ambiente não será uma prioridade do país se isto frear seu crescimento. O primeiro-ministro chinês, Wen Jibao, disse que "não se pode limitar" o ritmo de crescimento dos países e sustentou que a China terá mais capacidade de promover a transição para uma economia verde se continuar se desenvolvendo.

Estas divisões entre os países significam a maior "fraqueza" da comunidade internacional e representam o maior risco para o planeta, segundo alertou o presidente do Chile, Sebastián Piñera, que assim como o resto dos líderes latino-americanos demonstrou seu compromisso com a preservação ambiental e a justiça social. Na mesma linha, a presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, criticou os países que "seguem sem assumir seus compromissos" e lembrou que a deterioração do meio ambiente afeta a "todos".

O presidente peruano, Ollanta Humala, fez um mea culpa e admitiu que "durante séculos" foram cometidos "erros terríveis" em relação ao meio ambiente em seu país. Humala, no entanto, frisou que agora o Peru apoia incondicionalmente a preservação da floresta amazônica. O Paraguai, representado por seu chanceler, Jorge Lara Castro, afirmou que a natureza não deve ser tratada "como uma mercadoria" e defendeu um modelo de desenvolvimento que permita a população ter "uma vida digna".

A presidente argentina, Cristina Kirchner, retornou ao seu país sem participar da conferência e não explicou os motivos da decisão. A imprensa da Argentina atribuiu sua volta a uma greve de caminhoneiros.

O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, advertiu que só os projetos ambientais viáveis do ponto de vista econômico serão sustentáveis e defendeu uma "economia verde" que reúna proteção do meio ambiente e geração de emprego. "Estou convencido que o meio ambiente só pode ser preservado se incorporamos o valor econômico em nossas decisões como governantes. O que não for viável do ponto de vista econômico, não poderá se sustentar, e ao mesmo tempo algo que não for sustentável, não será útil economicamente", disse Rajoy. Após os discursos, acontecerá uma recepção oficial para os presidentes e a apresentação do espetáculo "Um Brasil para iniciantes", que faz um passeio pelas tradições musicais brasileiras.

   A Rio+20, realizada no vigésimo aniversário da Cúpula da Terra (ECO-92), que também ocorreu no Rio de Janeiro, prosseguirá nesta quinta-feira com os pronunciamentos das autoridades que não falaram hoje, entre elas a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.
Fonte: R7 Noticias

sábado, 16 de junho de 2012

Ministra do Meio Ambiente fala sobre as expectativas de Dilma Roussef na Cerimônia de Abertura do Congresso Mundial ICLEI 2012

Compromissos inadiáveis com a sustentabilidade e a responsabilidade política marcaram a noite de abertura, que foi encerrada com o talento de Milton Nascimento.
A Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, marcou a Cerimônia de Abertura do Congresso Mundial ICLEI 2012, ontem à noite, em Belo Horizonte. O evento acontecerá até domingo com as expectativas do Governo Federal sobre o encontro global de governos locais pela sustentabilidade. Além dela, o discurso do presidente do ICLEI, David Cadman, foi contundente sobre a responsabilidade dos governos para agirem agora. No dia 15 de junho (sexta-feira), pela manhã, o coordenador executivo da Rio+20, Brice Lalonde, diretamente do Rio de Janeiro, enviou sua mensagem sobre a importância da participação dos governos locais nas políticas de sustentabilidade.
A Ministra salientou que espera “que o ICLEI nos ofereça alternativas mais objetivas em torno de soluções concretas onde o bem feito, a ética e os princípios de sustentabilidade tragam soluções das gerações presentes para uma vida melhor das gerações futuras”. Para a Ministra, o congresso acontece em “um momento de uma nova inflexão política, desde que o mundo apontou, na Rio-92 há 20 anos, a necessidade de mudança de modelos de desenvolvimento. A Rio+20 é uma conferência de partida, coloca na agenda a pauta da necessidade de agir com pragmatismo ambiental, com pragmatismo político”.
David Cadman falou sobre a necessidade de os governos locais, estaduais e nacionais transformarem suas agendas em ações sobre o que está sendo feito, deixando para trás a agenda do que pode ser feito. “Não podemos, além do legado da dívida financeira, deixar para as gerações futuras o legado de um meio ambiente destruído” – disse ele.
Já Brice Lalonde, coordenador executivo da Rio+20, falou hoje durante a plenária de abertura do Congresso, em que foi feito um balanço das ações locais pós Rio92 até Rio+20. “Os governos locais têm papel fundamental nas discussões de sustentabilidade. Falar sobre sustentabilidade é falar sobre bem-estar. É preciso pensar como vamos lidar com isso”, afirmou. Com o nome “Do Rio ao Rio”, nessa plenária foi apresentado o estudo que traz uma revisão de 20 anos de ação local para a sustentabilidade global. O documento “Sustentabilidade local 2012” completo está disponível no link: www.local2012.iclei.org/local-sustainability-study.
Outra palestra de destaque foi a de Sebástien Duyck, membro da Comissão Executiva, Rio+20es, da França, que discute a sustentabilidade com as gerações futuras. Para ele “os governos locais precisam reconhecer o papel da juventude como empreendedores sociais e ter a juventude a bordo das discussões. É necessário considerar os interesses das gerações futuras”. Duyck ainda reforçou que “a juventude sofre a falta de decisões reais para o futuro”. Com isso, o presidente do ICLEI, David Cadman, enfatizou o discurso de Duyck, dizendo “que é imprescindível contar com jovens nessas discussões”.
O evento continua e agora, conforme a ministra do Meio Ambiente espera, o Congresso Mundial do ICLEI pretende redigir até domingo a “Mensagem para o Rio”, um documento que representará a intenção dos Governos Locais com seus compromissos de sustentabilidade que será apresentado na Rio+20. No domingo, das 16h às 17h30, na plenária final do evento, diversos prefeitos darão a sua visão para o futuro. Entre eles, Park Won Son, prefeito de Seoul, Eduardo Paes, prefeito da cidade do Rio de Janeiro e Marcio Lacerda, prefeito de Belo Horizonte.
Esse será o grande dia de importantes trocas de experiências entre as cidades e momento de decisões. Entre os temas estão, “Crescimento rápido – crescimento verde”, “Sistemas Alimentares nas Cidades”, entre outros.
Durante todo o evento, são apresentados casos de sucesso de ações em sustentabilidade no mundo todo. Entre eles, o trabalho em gestão de resíduos desenvolvido por cidades, como Dunkerque, na França, Salta, na Argentina, Belo Horizonte, entre outras
Fonte: Brasil Fator

Brasil desistiu de liderar agenda ambiental, diz Marina

Ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva diz que o país tem vivido um acelerado retrocesso no setor e que abriu mão de liderar as discussões globais sobre o meio-ambiente

Embora avalie que o Brasil avançou na proteção ambiental desde a Eco-92, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva diz que o país tem vivido um acelerado retrocesso no setor e que abriu mão de liderar as discussões globais sobre o meio-ambiente. "O Brasil nem busca mais essa liderança, ainda que reúna as melhores condições para fazer isso", diz Marina.
Em entrevista à BBC Brasil às vésperas da Rio+20, a ex-ministra critica a atuação do governo na reforma do Código Florestal e cita duas iniciativas que, segundo ela, ameaçam os avanços conquistados: a Medida Provisória 558, que reduziu oito unidades de conservação na Amazônia; e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 213, que tramita no Congresso e busca transferir do Executivo para o Legislativo a responsabilidade de demarcar Terras Indígenas. "A base legal que fez com que, desde 2004, se conseguisse reduzir a pobreza e o desmatamento agora está sendo abolida", afirma Marina.
Veja a cobertura completa da Rio+20
BBC Brasil - A Rio+20 poderá ter resultados equivalentes aos da Eco-92?
Marina Silva - A Eco-92 teve um esforço virtuoso, mas a agenda de implementação dos aspectos de mitigação não aconteceu porque não foi priorizada. A pauta continuou a ser o desenvolvimento no velho padrão, os recursos não foram mobilizados, e o Pnuma (Programa da ONU para o Meio-Ambiente) não supervisionou o processo. Após 20 anos, chegamos aqui com aumento significativo de governança ambiental nos Estados nacionais, mas com fragilidade na governança ambiental global. Por isso defendo a criação de um órgão na ONU para o meio ambiente, a exemplo dos que existem para o comércio, saúde, cultura. Chegamos também com problemas graves em termos de prioridade política, porque percebemos que os países - sobretudo da Europa, em crise, mas também a China e os Estados Unidos - não estão priorizando essa agenda. Como são sujeitos muito importantes, se não se mobilizam, fica difícil ter resultado positivo.

BBC Brasil - Como avalia o papel que o Brasil tem desempenhado nas discussões?
Marina Silva - O governo brasileiro, que deveria ter tido papel de líder para que a Rio+20 permitisse revisitar os compromissos da Eco-92, fez questão de tirar o tema ambiental do debate. Estamos chegando à conferência, em que pese o avanço da consciência da população, com governos em posição totalmente refratária. Houve também um exílio da ciência, por pressão de interesses econômicos, que domesticaram boa parte das lideranças políticas. Se líderes políticos não querem falar, que pelo menos os líderes morais, a comunidade científica, possam dizer qual a avaliação desses vinte anos, quais os desafios.
BBC Brasil - Então o Brasil, na sua opinião, não exerce mais uma liderança na área ambiental?
Marina Silva - O Brasil nem busca mais essa liderança, ainda que reúna as melhores condições para fazer isso. Se buscasse, não estaria promovendo o atual retrocesso em relação ao que já alcançamos, a menos que ache que terá liderança por marketing. A base legal que fez com que, desde 2004, se conseguisse reduzir a pobreza e o desmatamento, agora está sendo abolida nas ações do Código Florestal, no movimento do Congresso sobre as Terras Indígenas, na pressão para diminuir unidades de conservação protegidas. Assim como no Velho Mundo uma mulher (a chanceler alemã, Angela Merkel) tenta segurar a crise do velho modelo do século 21, no Novo Mundo poderíamos ter uma mulher buscando a nova economia do século 21. Obviamente, se quiser corrigir rumos o governo tem condições, mas hoje o que prevalece é a hegemonia do pensamento atrasado de pequena parte do agronegócio, em que pese 80% da população ser contrária.
BBC Brasil - Boa parte das discussões sobre economia verde, um dos focos da Rio+20, se centram na busca de precificar (atribuir preço a) recursos ambientais e no papel dos mecanismos de compensação, como o REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação). Essa ênfase é correta?
Marina Silva - Correta seria uma discussão sobre o desenvolvimento sustentável. Confinar a discussão ao debate econômico não levará a lugar nenhum, assim como se fizermos um debate puramente ambiental. É preciso integrar economia e ecologia numa mesma equação. A sustentabilidade não pode ser uma nova métrica, mas uma força ética a orientar a maneira de ser. A partir desse ideal é que vamos reorientar nossa maneira de fazer as coisas e, ao mesmo tempo, preservar.
BBC Brasil - A senhora acredita, conforme dizem muitos governantes, que a proteção do meio ambiente só ocorrerá se for lucrativa?
Marina Silva - Não há como ter desenvolvimento se não houver água potável ou terra fértil. A proteção desses ativos é que viabiliza a economia. O debate de pôr em métrica (os recursos ambientais) não está levando em conta que corremos o risco de comprometer o equilíbrio da terra. Cuidamos de um idoso não pelo que ele poderá produzir ou nos ofertar, é pelo respeito que temos, por cuidado, amor. O mesmo deveria valer para recursos de milhares de anos que estão sendo sacrificados em nome do lucro de algumas décadas. É preciso ressignificar a nossa experiência civilizatória: como ser feliz e livre num planeta limitado? Não é fácil, mas para resolver precisamos começar a direcionar o desejo de felicidade para outras dimensões que não sejam ter e fazer. A humanidade se orienta para fazer e ter desde o Mercantilismo, mas antes disso as pessoas queriam ser.
BBC Brasil - Temores quanto aos efeitos da crise mundial no Brasil têm feito com que o governo adote ações em busca de garantir o crescimento econômico, como os recentes estímulos fiscais à indústria automobilística. Aumentar o PIB deve ser uma prioridade do governo?
Marina Silva - O Brasil pode se desenvolver sem ser refém do crescimento pelo crescimento. O país tem condições de se desenvolver e gerar riqueza sem precisar de política de terra arrasada sobre a legislação ambiental, mas para isso tem que priorizar investimentos em outras tecnologias, em alternativas energéticas. Com bagaço e palha da cana daria para fazer três "Belo Montes".
BBC Brasil - Por que o governo e parlamentares simpáticos às causas ambientais não têm conseguido fazer frente à bancada ruralista nas discussões sobre o Código Florestal no Congresso?
Marina Silva - Os parlamentares ambientalistas conseguiram muito para a quantidade que são. Obviamente há um descompasso entre o que Congresso faz e a sociedade. Há setores do Congresso que fazem escolhas em posição de minoria conservadora. Por outro lado, há uma omissão do governo, que não quer liderar agenda ambiental, mas mobiliza sua base em vários outros temas, como quando discute o pré-sal ou o salário mínimo. Agora o governo deixou o assunto no comando do senador Luiz Henrique (PMDB-SC), e 700 emendas foram apresentadas para piorar o que é impossível de ser piorado. Depois da Rio+20 veremos o resultado: será avassalador.
Fonte: Último Segundo